‘‘Os Estados Unidos vão superar seus problemas’’ – declarou Barack Obama no último pronunciamento antes da posse, ao falar no Lincoln Memorial, em Washington – o mesmo local onde outro líder negro, Martin Luther King, proferiu seu célebre discurso defendendo os direitos civis. Hoje, em solenidade que as TVs de todo o mundo irão mostrar, ele assume a presidência dos Estados Unidos, pondo um fim na tão criticada administração de George Bush (leia-se mais claramente a família Bush) e iniciando o que é assinalado como uma nova era, cercada pelas esperanças da humanidade.
  Obama ao menos não tem que lidar imediatamente com a guerra na Faixa de Gaza, porque as partes em litígio resolveram fazer uma trégua de 7 dias, mas o grande desafio é a crise financeira, que tendo se iniciado em seu país alastra-se até agora por todo o mundo. Já amendrontados pelo drama financeiro do momento, os norte-americanos não estão seguros nem num dia como hoje, porque temem a ação de extremistas brancos, no momento da posse, ou de um atirador isolado que dispare contra Obama, como aconteceu com o presidente Kennedy.
  O aparato de segurança é monumental, como só ocorre nos Estados Unidos, porque uma nação poderosa também gera grandes inimigos. A expectativa é de dois a três milhões de pessoas assistindo, nos entornos da Casa Branca, e isto aumenta o temor dos encarregados de garantir a posse com segurança. Passado este dia de festa mas também de expectativa, Barack Obama instala-se na Casa Branca como o mais poderoso presidente dentre todas as nações. Com ele, sua mulher Michelle – advogada formada em Harvard e dedicada tambem às causas sociais – que já demonstrou não desejar ser apenas a mulher do presidente mas atuar ativamente, como é de seu temperamento e de seu impulso. Barack a chama de rochedo, pela firmeza dela nas decisões. ‘‘O presidente não quer os banqueiros sentados no dinheiro do contribuinte’’, disparou publicamente seu assessor David Axelrod, e isto é um recado aos detentores do poder financeiro, os mesmos que, pelas suas aventuras e ganâncias desmedidas fizeram irromper o crash de setembro.
  Com uma equipe de alta competência – como a imprensa americana qualificou – Obama não parece um deslumbrado, e ao declarar que os problemas serão superados, acenou que isto poderá levar ‘‘mais de um mês, ou mais de um ano, ou muitos anos’’. O mundo olha para a Casa Branca com otimismo, e não apenas porque termina a era Bush e porque os EUA têm a partir de hoje um novo presidente, mas porque se trata de um presidente com as características de Barack Obama.

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