Enquanto o Poder Judiciário dá mostras de que atende aos clamores da sociedade brasileira quando age com celeridade nos casos de corrupção, como ocorre nos processos da Operação Lava Jato conduzidos pelo juiz Sérgio Moro, titular da 13ª Vara Federal em Curitiba, o Poder Legislativo segue na contramão. Preocupa, em especial, a situação deplorável do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), alvo de processo de cassação no Conselho de Ética por corrupção e lavagem de dinheiro.
Além de defender projetos considerados retrocessos como o que endurece o aborto em caso de estupro e de ser contra a adoção de crianças por casais homoafetivos, o peemedebista vem sendo destaque na mídia nos últimos meses por supostamente ter recebido propina de corrupção na Petrobras e ter conta não declarada na Suíça.
O lobista Julio Camargo, representante dos japoneses do Grupo Mitsui e da Camargo Corrêa no esquema de cartel e corrupção na Petrobras, afirmou em depoimento ao juiz Sérgio Moro que foi pressionado por Eduardo Cunha a obter US$ 10 milhões em propina referentes a dois contratos na Diretoria de Internacional da estatal, sendo que a metade teria ficado com o deputado do Rio.
Já o Ministério Público da Suíça apontou que Cunha abriu empresas de fachada em paraísos fiscais para esconder seu nome nas contas registradas naquele país. A Suíça decidiu, então, congelar cerca de US$ 5 milhões em quatro contas bancárias cujos beneficiários são o presidente da Câmara e seus parentes. O curioso é que, durante depoimento à CPI da Petrobras em março, o peemedebista negou possuir conta no exterior. Diante da contradição, agora admite que tinha negócios no exterior de venda de carne enlatada e, para tanto, chegou a mostrar à imprensa o carimbo de 37 viagens à África. E, claro, jura inocência e não vê nada demais ter dinheiro no exterior.
Em meio a esse turbilhão de denúncias, o peemedebista vinha negociando com lideranças do governo na Câmara a salvação de seu mandato em troca da rejeição dos pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Conforme publicou a FOLHA ontem, deputados paranaenses avaliam que Cunha será cassado se o processo avançar no Conselho de Ética e chegar ao plenário. Com sua frágil argumentação e sem alguma prova consistente, dificilmente Eduardo Cunha conseguirá se manter no cargo. A sociedade só espera que a Câmara atue com independência para que o caso não se transforme em mais uma pizza à brasileira.

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