A imprensa mais ortodoxa não crê na eficiência de fóruns como o de Porto Alegre e de Davos, mas as mudanças que se deseja, no sentido de um mundo melhor, trilham (também) por esses caminhos. A humanidade calada é que, com toda a certeza, nada alcançará. Embora entusiasmos delirantes como o de Frei Betto, que se referiu ao evento de Porto Alegre do qual participou como ''uma beleza de feira ideológica'', tais acontecimentos são mais que isso, porque criam correntes de reflexão capazes de contagiar a população genérica do mundo aquela que vê e ouve mas não se envolve politicamente com nada. Se os cidadãos se calam, os governantes e demais detentores de grande poder imaginam que tudo vai bem, e continuam com suas políticas devastadoras. Aparentes utopias de hoje, presentes nessas ''feira ideológicas'', poderão ser os resultados concretos de amanhã. Não há que perder as esperanças e capitular, porque os espalhafatosos agentes junto a militantes mais concentrados que participam desses fóruns, são abridores de campos e por isso indispensáveis. No evento do Brasil, os protestadores; no da Suíça, os donos do poder, e na verdade ambos com fundamentos idênticos, que é o combate à pobreza, a preservação ambiental, a segurança mundial. A realização desses encontros que reúnem minorias e maiorias do mundo, entre estas influentes figuras do círculo governamental e econômico não deve estar ocorrendo por acaso e aleatoriamente, mas porque há um consenso e uma preocupação que envolvem pobres e ricos. Porto Alegre e Davos não se antepõem, mas, ao contrário às vezes por caminhos aparentemente antagônicos buscam pontos de equilíbrio e metas comuns para a convivência pacífica no mundo. Por idealismo de muitos, ou pela busca da preservação sustentável de interesses políticos e econômicos de outros tantos, esses eventos são significativos e fecundos, sabendo-se que devem ser seguidos das ações discutidas e aprovadas. O que a Organização das Nações Unidas, como virtual governante do mundo, não consegue talvez pela circunstância de sediar-se em território dos Estados Unidos (estes sim detendo o poder de governo mundial efetivo) Porto Alegre e Davos buscam alcançar, e indiscutivelmente constituem dois grandes parlamentos. Entre arroubos, revanchismos ostentados e o rico festival de línguas, trajes, cores e tantas diversidades, proporcionado por pessoas de quase 130 países (caso do fórum de Porto Alegre), há muitas boas idéias, que semeadas haverão de frutificar no momento oportuno. Se não houver alguma crença no êxito desses fóruns, então será necessário criar outros iguais, ou eventualmente melhores, porque fórmula mais adequada não existe senão esta da reunião em grandes blocos, do exame, do debate, da pressão, do indicativo de soluções e dos sequentes diligenciamentos para as execuções. Porto Alegre, e na sequência cronológica Davos, capitalizam os anseios e sentimentos mundiais, que com certeza encontrarão ressonância e não serão vãos.

mockup