A eventual queda de qualidade das universidades estaduais públicas resultará também na queda de conceito dessas instituições, com o afastamento do interesse de futuros alunos. Conclamação publicada ontem neste Jornal sobre a situação dos professores e servidores das Instituições Estaduais de Ensino Superior-IEES alerta para o regime de baixos salários dessa classe, que pode resultar na evasão de quadros qualificados que o Estado levou anos para formar. O temor dessa evasão agrava-se com a abertura de concursos que criarão 6 mil vagas nas universidades federais e nas universidades estaduais paulistas, onde os ganhos são melhores. A queixa contida nessa nota pública é que os servidores das IEES acumulam desde março de 1997 perdas salarias que representam índice acima de 70%. Uma região ou um Estado, e por extensão um país, se consagram pela infra-estrutura que possuem, e a da educação é fundamental, nela inserindo-se o ensino superior. A história tem demonstrado que instituições fortes de determinados países, com bons salários e acenos de melhores oportunidades, atraíram professores, pesquisadores, cientistas e outros valores humanos de países que não os valorizaram. O resultado foi que estes se enfraqueceram ainda mais e aqueles avançaram, pela presença e ação desse capital humano. Negligências que o Paraná venha a cometer nesse sentido, ou a valorização desses mestres qualificados, conduzirão a um daqueles resultados, dependendo do que o Governo venha a preferir. A história imediata e futura rememorará o que for feito no Paraná em defesa da qualidade do ensino, daí a responsabilidade que pesa sobre o Governo. 'É penoso para o Paraná estar entrando no século 21 com suas universidades públicas enfraquecidas, quando é geral o reconhecimento da importância que o preparo educacional e cultural tem para a formação de uma nação'' adverte a
nota acrescentando que 'o desenvolvimento científico, tecnológico e cultural depende de um ensino superior forte, sem o qual o Estado pode ser relegado a um papel menor no âmbito da Federação'. Certo é que os cargos governamentais temporários os eletivos, com suas volumosas verbas de representação e exércitos de assessores, as Secretarias de Estado e idênticos arsenais agregados quadros funcionais das estatais, o poder judiciário e determinadas outras funções, são melhor aquinhoados que a classe do professorado, em todas as suas esferas, e se o leque dos mal-pagos for estendido se chegará aos servidores da saúde e da segurança. Se a denúncia é de que o Governo Lerner 'foi péssimo para o ensino superior', sobra para Requião a acusação de que 'não aceita repor as perdas' do tempo do antecessor e de que 'ele se nega a discutir as defasagens de seu próprio Governo'. Tema para reflexão do governador e da representação parlamentar.

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