A tentativa da Câmara de Vereadores de Londrina de garantir uma reposição de 4,36% aos salários de seus integrantes acabou frustrada, na última terça, em função da repercussão que o assunto ganhou junto à opinião pública. A constatação, que soa óbvia, está no ofício encaminhado pelos vereadores ao prefeito Barbosa Neto (PDT) no qual pediram o veto à medida.

Vale lembrar que o projeto original, encaminhado à apreciação dos parlamentares pela administração, tratava da recomposição salarial ao funcionalismo público do Município. Apesar do recuo do Legislativo, o assunto não pode passar incólume pelo cidadão, que há menos de um ano e meio respondeu nas urnas, com 70% de renovação - ou 70% de reprovação aos antigos nomes -, o que espera e o que descarta em seus representantes políticos.

Logo que a atual composição da Câmara foi definida, cientistas políticos ouvidos pela FOLHA foram enfáticos: a renovação de nomes não vislumbrava, necessariamente, renovação de práticas políticas. A aprovação de uma ''recomposição'' - como os vereadores gostam de dizer, pois se ferem na alma quando isso é traduzido ao cidadão como ''reajuste'' - mostra que o londrinense precisa estar mais vigilante.

De fato, não bastam as mais de 10 ações ingressadas pelo Ministério Público (MP) contra membros da atual legislatura, tampouco prisões e afastamentos justamente contra nomes que substituíram vereadores denunciados da Legislatura passada. É no dia a dia dos trâmites aparentemente não muito atrativos, nas pequenas ações e nas declarações que as intenções aos poucos se revelam. Ou que a propalada renovação, enfim, pode ser uma renovação de hábitos que se esperava enterrados com os escândalos de 2008.


O presidente da Câmara, José Roque Neto (PTB), poderia soar ingênuo, no mínimo simplista, ao atribuir a desastrosa repercussão de uma medida aprovada sem um mínimo de transparência ao fato de ''o Legislativo ser estigmatizado'' por escândalos. Mas, ao admitir que falta ''maturidade política'' aos eleitos, mostra o quanto ainda se há para avançar. Pena que alguns avanços ocorram no esteio de ameaças de ações judiciais que resguardem a moralidade ou de manchetes que, de fato, mostram o quanto a política pode decepcionar quem acredita nela como meio para melhorar a sociedade. A mesma sociedade, porém, mostrou sua força - e se o agente público, como alguns projetos, não se emendam, resta a ela fiscalizar para não cobrar tardiamente.

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