Por uma nova visão empresarial
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de julho de 2010
Clodomiro José Bannwart Júnior<br> Emilim Shimamura 
A velha e anacrônica visão de empresa concebida como uma organização que responde apenas à busca de lucratividade, balizada estritamente à legalidade jurídica encontra-se superada e exige, nos dias atuais, que seja renovada.
Índices como o Dow Jones de Sustentabilidade e a Bovespa, responsáveis por medir a valorização das ações de empresas que investem em programas socioambientais, ou ainda a legislação que concede incentivos fiscais a empresas socialmente responsáveis revelam que a nova face empresarial é capaz de, ao mesmo tempo, gerar ganhos econômicos e concretizar a justiça social.
Talvez muitos empresários desavisados estejam se questionando por que as empresas devem, além de pesada carga tributária e de outros encargos que lhe competem, se ocupar ainda com o comportamento ético? Porque, atualmente, as empresas não são vistas apenas como organizações econômicas que perseguem a consecução de lucros (fins), fazendo uso indiscriminado de estratégias (meios) muitas vezes deploráveis aos olhos da sociedade. As empresas têm se conscientizado, cada vez mais, que são também instituições sociais e que os seus produtos e serviços atendem a uma expectativa social.
Da mesma forma que a relação pessoal é orientada, do ponto de vista ético, pela expectativa de comportamento do outro, o que possibilita a geração de confiança mútua, as empresas igualmente começam a perceber que os seus produtos e serviços carregam em suas marcas valores e princípios que geram confiabilidade ou não no seu público consumidor.
Por outro lado, a empresa também tem se percebido como instituição plural, dentro do contexto de globalização das sociedades de redes, em que é obrigada a justificar suas ações perante uma esfera pública cada vez mais atenta e exigente. A empresa, nesse aspecto, é avaliada pela confiança que gera a toda esta rede democrática que lhe cerca e não somente pelo grau de rentabilidade alcançada.
Assim, a resposta que as empresas devem oferecer à sociedade não se restringe apenas ao nível econômico e jurídico, mas também ao âmbito ético. Nesse sentido é significativo quando os recursos intangíveis dentro de uma empresa, ignorados até então - como os espaços de solidariedade - passam a ser resgatados em novos processos administrativos.
Algumas empresas já perceberam que uma gestão mais democrática e que acompanhe as necessidades dos profissionais deste século, tais como negociação de horários, participação nos lucros e a possibilidade de trabalhar em casa, resultam não apenas em melhorias nas condições de trabalho, mas também em lucratividade, a exemplo do gigante Google, empresa que inovou a forma de gestão de seus funcionários.
Os tempos modernos impõem que as empresas criem confiança e transparência para o seu público interno e externo e, desta forma, a longo prazo, garanta a sua permanência no mercado. Cabe insistir que é urgente a necessidade de readequação dos modelos empresariais ao âmbito ético, uma vez que tais modelos não são ilhas, mas parte de complexa rede de atores, cada vez mais informados e interligados, os quais forçam a apresentação, por parte das organizações empresariais, de justificativas racionais e plausíveis de suas tomadas de decisões além do campo meramente legal e/ou econômico.
CLODOMIRO JOSÉ BANNWART JÚNIOR é professor de mestrado em Direito Negocial na Universidade Estadual de Londrina e EMILIM SHIMAMURA é mestranda em Direito Negocial na Universidade Estadual de Londrina


