O Governo dá pouca importância ao contínuo desmatamento da Amazônia, mas endurece com as áreas de preservação permanente (as APPs) nas propriedades rurais que se compõem de matas ciliares, várzeas, encostas e topos de morros. A adoção de rigidez na política preservacionista é necessária, mas o mesmo rigor não é adotado com relação à Floresta Amazônica e às matas na orla atlântica. A questão das APPs é o tema de reunião específica que se realiza hoje em Maringá, promovida pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep).
A proposta é de uma mudança no Código Florestal Brasileiro para que inclua essas áreas nos 20% da reserva legal de cada propriedade rural. ''É preciso estabelecer no Paraná um zoneamento econômico ecológico para que as ações ambientais sejam conduzidas considerando-se a produção agropecuária, a indústria e os centros urbanos'', declara Ágide Meneguette, presidente da Faep.
Uma proposta que está no bojo das reivindicações - ainda pela palavra deste líder classista - é que os produtores rurais sejam remunerados para manter as reservas florestais legais, ''já que deixam de usar tais áreas para a produção''. É uma necessidade que todos, nos meios rural e urbano, deem sua cota de contribuição pela defesa ambiental. Outra proposição - também tema dos debates de hoje - é que seja permitida a continuidade da atividade agrícola e pecuária nas APPs consolidadas em uso há mais de dez anos com a utilização de tecnologias conservacionistas. Certo é que todos precisam ganhar neste processo: de um lado a natureza e de outro os proprietários de terra, que precisam extrair dela o seu ganho. É tempo de uma conciliação de políticas. Inteligências não faltam nos debates deste encontro: agricultores e pecuaristas, líderes de entidades pertinentes, técnicos rurais, representantes do Instituto Ambiental do Paraná e parlamentares. O produtor rural já tem consciência da necessidade de preservação das matas e tudo o que ela encerra de biodiversidade.
Nem tanto o endurecimento exacerbado da fiscalização e nem atos irresponsáveis dos proprietários rurais. Por isso é fundamental uma reunião como a de hoje, que terá prosseguimento a seguir em Cascavel, Guarapuava, Irati, Cornélio Procópio, Umuarama, Pato Branco e Castro. O objetivo é que a natureza ganhe mas também que os produtores rurais possam obter renda com as reservas legais.

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