A morte da motociclista Nayara de Melo Sampar, de 33 anos, na madrugada de domingo, em Londrina, não pode ser tratada como mais um acidente de trânsito. O que ocorreu na Avenida Tiradentes foi resultado direto de escolhas irresponsáveis, que transformam ruas urbanas em pistas de corrida e colocam vidas inocentes em risco. A prova disso é que o motorista dirigia a mais de 120 km/h em um trecho com limite de 70 km/h.

Sampar voltava do trabalho quando foi atingida pelo carro que trafegava em alta velocidade e, com o impacto, ela foi arremessada da motocicleta. O condutor do veículo, segundo a polícia, teria fugido sem prestar socorro. A moça chegou a ser socorrida, mas morreu dentro da ambulância.

A motociclista atuava como segurança em um salão de festas e tinha acabado de deixar o trabalho quando foi atingida. Ela morava no Residencial Vista Bela, na zona norte de Londrina, com a filha de apenas 12 anos.

A situação se torna ainda mais grave diante da fuga do motorista, que deixou o local sem prestar socorro. O Código de Trânsito Brasileiro é claro ao priorizar a preservação da vida, inclusive afastando a prisão em flagrante para quem socorre a vítima. Fugir, portanto, evidencia uma cultura de impunidade que insiste em tratar crimes de trânsito como infrações menores.

Os elementos já apontados pela polícia (alta velocidade e evasão do local) exigem uma resposta firme das instituições para que condutas desse tipo deixem de ser enquadradas como meros acidentes e passem a ser reconhecidas como crimes graves contra a vida.

O caso também expõe a responsabilidade do poder público. Medidas simples e já estudadas, como a implantação de bolsões para motocicletas nos semáforos, seguem engavetadas por falta de recursos, segundo informações da Polícia Rodoviária Federal.

Vale lembrar que motociclistas continuam entre as principais vítimas do trânsito urbano em Londrina.

No velório de Nayara, familiares e amigos pediam por justiça, um desejo que não é apenas de quem convivia com a vítima. É uma exigência social. Cada morte impune reforça a ideia de que vale tudo no trânsito.

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