O homem se posta perante a vida com a visão de que tem de lutar e competir, como se estivesse condenado à condição fatalista de enfrentar os seus iguais e disputar com eles. O ideal de ser um vencedor vai sendo inoculado em sua mente desde a infância e tem continuidade na escola e no ambiente social. Por isso ele vai sendo preparado para a idéia de uma guerra de concorrência e de ter de triunfar sobre um exército de semelhantes que está no mesmo campo de batalha. Assim, se um vence, o outro tem de perder. A concepção é da importância da vitória pessoal e não da vitória do conjunto. A corrida não é para superar a si próprio mas superar os que correm junto.
  Este é o valor que se intensificou ainda mais no mundo dito globalizado – o que se transformou em sinônimo de competitivo – e que ganha tanto incentivo e aplauso. Por isso a obcecada tendência da prioridade para a graduação como princípio e fim de todas as coisas e instrumento eficaz para a competição a travar. Como se a redenção da humanidade vá se operar pela via da disputa e do domínio do conhecimento repassado pela metodologia linear das instituições alfabetizadoras e formadoras. Assim fosse, nações altamente escolarizadas não fariam guerras e não teriam tanta obsessão por elas (também não se podendo afirmar que a solução mágica reside nas civilizações incultas).
  É no desenvolvimento da capacidade multidimensional do homem que está a fórmula. Mas disto não se ocupa a tradição, entregue ao sistema linear de transmitir conhecimentos que só interessam à condição humana do indivíduo. Sobre seu potencial transcendente – essa grande reserva intocada do ser – nem uma palavra, porque a pedagogia sedimentada não admite incursões por essa trilha, até porque a desconhece. Civilizações cultas e socialmente desenvolvidas, a humanidade conheceu tantas, mas elas não foram os modelos ideais para a evolução vertical dos habitantes deste planeta. Já as comunidades sábias, estas têm deixado, ao longo da história, grandes ensinamentos e exemplos, que não foram seguidos pelas multidões mas aí estão como luminosos sinalizadores.
  Não é o intelecto o repositório da sapiência, mesmo que se locuplete de informações acadêmicas. Ele é apenas um dos componentes limitados da estrutura tridimensional do homem. O que não está manifesto é o que realmente conta, mas a essa rica e inesgotável fonte o ser humano não recorre, porque nem aprendeu como, embora os sinais lhe cheguem por diversas maneiras. A humanidade tem feito da vida um laboratório de experimentos terrenos, mas há outro campo de desenvolvimento que transcende as baixas vibrações do ego e do universo meramente fisiológico. A busca e o acesso a esse conhecimento deveria figurar como prioridade e direito de todo indivíduo.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina.

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