O presidente Jair Bolsonaro tinha planejado dar posse a duas pessoas de sua confiança nesta quarta-feira (29), mas acabou oficializando somente a nomeação do advogado André de Almeida Mendonça para o cargo de Ministro da Justiça e Segurança Pública. Para a cadeira de diretor-geral da Polícia Federal, o chefe do executivo terá que procurar mais, já que o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), revogou a nomeação de Alexandre Ramagem para o posto.

Como era de se esperar, o presidente da República não se deu por vencido. Primeiro, supostamente convencido por advogados da AGU (Advocacia Geral da União), teria desistido da nomeação do amigo próximo da família Bolsonaro para o maior cargo da Polícia Federal.

No final da tarde, na porta do Palácio Alvorada, Bolsonaro disse que o governo vai recorrer para ter Ramagem, atualmente chefe da Abin (Agência Nacional de Inteligência), na direção da Polícia Federal. E disparou um “quem manda sou eu”, uma nova frase de efeito, poucas horas depois do famigerado “e daí?”

Mesmo após conhecer a decisão justificada do ministro Alexandre de Moraes e ouvir os argumentos dos advogados da AGU, o presidente parece não entender que a nomeação de um amigo da família para ocupar a direção-geral da Polícia Federal seria uma ofensa à exigência constitucional da impessoalidade.

A insistência na nomeação de Ramagem para a direção da PF é uma escolha equivocada também como estratégia política. Depois que o ex-juiz Sergio Moro desembarcou do governo acusando Bolsonaro de tentar interferir politicamente na Polícia Federal, qualquer movimento nesse sentido trará muito desgaste no Congresso em um momento em que é preciso unir forças.

Não é a primeira vez que a Corte barra nomeações de presidentes da República. A deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ) foi impedida de assumir o Ministério do Trabalho, no governo de Michel Temer, assim como Lula não pôde tomar posse na Casa Civil no governo de Dilma Rousseff.

Vencer a crise da pandemia do novo coronavírus será ainda mais difícil sem a união dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. O momento não é de choques, mas de aparar as arestas, minimizar as diferenças e buscar soluções para um problema maior, a Covid-19.

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