Por um espetáculo silencioso
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sexta-feira, 03 de janeiro de 2020
Folha de Londrina 
A cada ano mais cidades aprovam leis proibindo a utilização de fogos de artifício convencionais por conta do alto impacto de barulho e dos males que eles podem causar a animais, idosos, crianças pequenas e pessoas com algum tipo de sensibilidade sonora. A medida já está em vigor em Londrina, assim como em outros municípios brasileiros como Florianópolis (SC), Vitória (ES), São Paulo e em outros países como a Itália. Nessas localidades, a proposta é trocar a poluição sonora por um espetáculo silencioso, em que a beleza está no brilho e nas cores dos fogos de baixo ruído e não no estrondo.
A aprovação da lei, porém, não garante que a proibição seja obedecida. As noites de Natal e Réveillon mostraram que a fiscalização é difícil e o seu cumprimento depende muito mais da conscientização do cidadão do que da vigilância dos órgãos públicos.
A queima de fogos de artifício é costume antigo em muitos países. Apreciada por alguns e odiada por outros, a prática incomoda tanto quanto som alto na calçada. É preciso se colocar no lugar do outro para entender o incômodo. Infelizmente, empatia não é uma capacidade comum entre o homem moderno.
Difícil se livrar de um hábito tão enraizado em nossa cultura. Há registros que os fogos já eram usados na Europa desde o século XIV. No Brasil, a tradição é forte, mesmo porque o País é um dos principais fabricantes de fogos de artifício.
Em Londrina, sabendo da dificuldade na fiscalização, a prefeitura pediu que os moradores denunciassem as pessoas ou empresas que utilizaram fogos com efeitos sonoros nas noites de festas, colocando à disposição da população um número de WhatsApp para receber as denúncias.
Entre 31 de dezembro e 1º de janeiro (até 1h30 da madrugada), foram registradas 418 denúncias. Das 418 denúncias recebidas, 211 foram registradas com fotos ou vídeos para comprovar o descumprimento à lei municipal. As denúncias serão analisadas pela secretaria e poderão resultar em multa de R$ 500 a R$ 1 mil, em caso de reincidência.
Os fogos de artifício também trazem consequências para quem os manipula. Nesses períodos do ano, as entradas em hospitais em decorrência de acidentes causados por esses artefatos são mais frequentes. No Hospital Universitário Evangélico Mackenzie, em Curitiba, 25 pacientes foram atendidos entre a noite do dia 31 e a madrugada de 1º de janeiro. Entre eles, um paciente teve uma das mãos amputadas, um adolescente de 16 anos perdeu parte de um dedo e um menino de 14 anos teve queimaduras na face e perdeu um olho.
É importante que se entenda que é possível se divertir sem correr risco de ferimentos e sem causar danos aos animais, humanos e ao meio ambiente. É possível fazer Réveillon sem estrondo, garantindo o show sem desrespeitar o vizinho.
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