A obrigatoriedade de abertura de vagas nas universidades para alunos provenientes de escolas públicas, negros, índios e outros mais, nos lembra a história daquele time que não ganhava de ninguém e que para conseguir alguma vitória tinha que intimidar árbitros e assistentes, além de oferecer vantagens das mais variadas possíveis. Jamais passou pela cabeça dos dirigentes que o mais recomendável seria investir na compra de bons jogadores, na montagem de bom quadro de profissionais, além da melhoria das condições físicas, tais como gramado, vestiário e outras instalações.
É justamente esta a visão que os dirigentes do poder público têm do ensino. Distribuem bolsas, livros, computadores, laboratórios, etc., sem pensar na qualificação e remuneração digna dos profissionais que vão atuar com os jovens e adolescentes.
Colocar pessoas na universidade ''por decreto'' mesmo com alguma ajuda financeira, não caracteriza desenvolvimento educacional visto que, para acompanhar um curso superior e desenvolver as habilidades por ali exigidas, são necessários muitos anos de estudo extraclasse, de boas leituras, de um enorme conhecimento que só a dedicação integral é capaz de proporcionar.
Além da pecha inevitável de ter entrado pela ''porta dos fundos'', tais alunos, na maioria dos casos, não acompanharão o curso com méritos, pois carecem daquilo que é essencial ao estudante universitário: os pré-requisitos.
Seria interessante que o governo investisse na escola pública, nas suas bibliotecas, nos laboratórios de pesquisa e de informática, na qualificação dos professores e demais membros do corpo técnico-administrativo e na melhoria dos salários destes profissionais.
É um trabalho que exige tempo e altíssimos investimentos. Isto envolve, inclusive, uma mudança de mentalidade de toda a sociedade para que deixe de ver a escola pública como única alternativa de estudo para as classes menos favorecidas economicamente e fizesse dela o local onde todos pudessem receber ótimas instruções, bons e vastos conhecimentos para que pudessem disputar de igual as vagas nas melhores universidades dos país. É o mínimo que se espera de um governo dito preocupado com a educação no Brasil.

ESMERALDINO FRANCO é professor em Londrina

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