Vetei o Projeto da Câmara que concedia desconto de 50% nos impostos. Vou pagar o décimo terceiro salário dos servidores mas vou atrasar os salários de dezembro e talvez não termine algumas obras que gostaria de terminar. Talvez pague caro por isso, mas nós políticos devemos valer pelo que fazemos e não pelo que achamos que poderia ser feito. E o Executivo é lugar de fazer, não de opinar.
Administro cada centavo recolhido acreditando que o coloco nos lugares devidos, com as devidas prioridades. Milhares de londrinenses, ao longo destes quatro anos, acreditaram em mim e pagaram seus tributos em dia. Outros não. E a dívida que a comunidade tem para com a Prefeitura excede a casa dos 28 milhões de reais, recursos suficientes para saldarmos todos os nossos compromissos.
Administro dando à população a oportunidade de decidir o que fazer com o dinheiro público, através do Orçamento Participativo, instrumento democrático, sério e transparente.
Acabei com as isenções políticas dos impostos, que beneficiavam apaniguados, parentes e amigos de pessoas influentes. Mais que isso: mandei para a devida cobrança judicial os inadimplentes, em consideração aos que pagaram em dia, mesmo sabendo que isso poderia custar a rejeição de muitos.
A Câmara de Vereadores, indiscutivelmente, sabendo das dificuldades momentâneas da Prefeitura, procurou ajudar o prefeito, ação que reconheço e agradeço. Todavia, sancionando o projeto, colocaria por terra o grande esforço que fiz durante estes quatro anos para moralizar a cobrança dos tributos municipais e, com isso, entregar ao novo prefeito e à cidade um Orçamento Municipal que é três vezes maior do que o que recebi.
Planejei nossas despesas deste último semestre acreditando que o grande exercício feito pela comunidade e pela Câmara, dando ao prefeito a oportunidade de dispor de 60 milhões de reais em ações do Sercomtel, seria mais que suficiente para honrar nossos compromissos e ainda deixar ao prefeito eleito recursos suficientes para duas folhas de pagamento e o término das obras iniciadas. Todos sabemos que uma absurda ação na justiça arrebentou com esta expectativa assegurada em lei e, o mais importante, assegurada na vontade de milhares de londrinenses que se manifestaram favoráveis à necessária transformação de nossa Autarquia em uma S/A e às obras que iniciamos em respeito àquela decisão.
Essa ação judicial, que o tempo se incumbirá de demonstrar seu caráter, me impede de terminar estes compromissos. Minha consciência me impede de deixar na mão os milhares de contribuintes que pagaram em dia seus impostos. Fico com a minha antiga forma de agir. Coerência é, hoje em dia, moeda rara nos cofres públicos. Mas é ela que eu sempre devi e continuarei devendo a mais sagrada obediência.
No primeiro mês de meu mandato, devolvi à comunidade mais de 2 milhões de reais, para cumprir lei e fazer justiça aos que haviam saldado seus tributos no ano anterior e não tiveram a graça desta mesma anistia que hoje se propõe. Aquele valor, à época, era suficiente para fazer mais de uma folha de pagamento. Hoje ele nos faz falta. Porém, falta nenhuma faria à cidade um prefeito que dançasse conforme a música, atraído pela vaidade de sair-se bem a qualquer preço.
A História, no seu devido tempo, saberá a quem dar razão.
- LUIZ EDUARDO CHEIDA é prefeito de Londrina.

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