Até a semana passada, como foi divulgado (timidamente, este ano, talvez para não prejudicar a candidata do governo), trabalhadores, empresários, consumidores e produtores, enfim toda a população economicamente ativa, trabalharam só para pagar impostos. Mais de cinco meses. Na carona dessa realidade, os candidatos deveriam, a esta altura da campanha presidencial, debater o tema reforma tributária. Porém, independente da questão política, faltam-lhes assessorias técnicas, para que as conversas não fiquem no superficial como aconteceu com Dilma Rousseff, dias atrás. Proposta zero.
  Nenhum governo enfrenta a reforma tão desejada. O presidente Lula terá sido o quarto presidente, em sete mandatos, a ser derrotado pela resistência do sistema de impostos e contribuições brasileiro estabelecido na Constituição de 1988, como lembra o repórter Lu Aiko Otta, da Agência Estado. Trata-se de um conjunto de regras que ninguém no País acha ideal, mas não se consegue mudar porque não há acordo. Quando à atuação de governos, o atual não leva jeito para resolver problemas mais complexos.
  Se o próximo presidente vai conseguir quebrar o encanto, é algo que não se sabe. Mas as chances de promover uma reforma ampla no tributo considerado mais problemático, o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), de competência dos Estados, são reduzidas, na avaliação de especialistas. Foi nas discussões sobre o ICMS que todas as tentativas de reformar os tributos brasileiros se transformaram em queda de braço entre unidades da federação - e todas caíram no impasse.
  ‘‘Sou descrente da reforma tributária porque ela implica perdas e ganhos, e ninguém quer perder’’, afirmou um consultor e tributarista. A reforma não sai se não houver uma garantia muito firme de que não haverá perdas nos Estados. Para o ex-secretário da Receita Federal Everardo Maciel, reformar o ICMS é um problema que não tem solução, pois os governadores não abrirão mão de receitas nem do poder de criar políticas por meio da tributação.
  Considerado o mais técnico no tema entre os candidatos, José Serra tem sido econômico ao falar da reforma. Na CNI, dias atrás, ele criticou a carga tributária, a maior entre os países emergentes, e atacou a proposta do governo. Serra prefere fazer ajustes pontuais na legislação a tentar reformar todo o sistema de uma vez. Falou pouco e não disse nada. Como esta FOLHA disse dias atrás, os candidatos são estatizantes e preferem sugar mais a fazer justiça fiscal.

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