Imagine se você fosse aos hospitais e descobrisse que 60% dos médicos nunca estudaram medicina básica. Ou, então, que nas companhias aéreas 70% dos pilotos nunca fizeram o curso básico de pilotagem de aviões. Seria aterrador, não?

Surpreendentemente, um estudo mostra que 85% dos novos gerentes nunca tiveram treinamento sobre liderança. E me arrisco a dizer que mesmo os gestores com mais experiência também nunca passaram por ele. Portanto, você pode não encontrar um médico ou um piloto de avião sem o treino básico em suas áreas, mas é extremamente provável que encontre gerentes de hospitais e de companhias aéreas sem nenhum treinamento em liderança.

Isso, por si só, é motivo de graves situações nas empresas. Um líder mal formado acarreta muito estresse, clima organizacional negativo, desmotivação e prejuízos financeiros. A causa disso é que o indivíduo espera que a empresa o treine em liderança.

Entretanto, levando em conta a crise atual, a maioria das companhias não possui recursos suficientes para esse fim e, mesmo em períodos melhores, boa parte do orçamento para a formação de líderes é reservada àqueles que estão há mais tempo no cargo.

A solução, portanto, passa pelo profissional encontrar seu próprio caminho para desenvolver-se como líder. Ao menos até a companhia ter recurso e interesse em proporcionar-lhe esse treinamento. O ideal seria que o indivíduo tivesse um mentor ou um coach para isso. No entanto, os custos envolvidos são proibitivos para os profissionais mais novos.

Felizmente, há uma opção disponível para todos, inclusive você: escolha um líder de referência. Procure na história, em sua família ou mesmo na sua experiência profissional pelos líderes que você admira.

Se for um líder com quem você trabalhou ou alguém de sua família, entre em contato com ele, pergunte como ele pensava a liderança. Quais eram seus valores? A importância de você ter um líder de referência é que quando você estiver em uma situação difícil, sempre poderá questionar: o que será que esse líder faria em meu lugar? E obter uma luz para suas ações.

A segunda ação que você deve fazer para desenvolver-se como líder é aprimorar sua comunicação. Em geral, o que mais faz um profissional nota 10 tornar-se um líder nota 1 é que ele é incompreensível. A linguagem operacional não é apropriada para ser utilizada em níveis gerenciais, principalmente quando estão presentes gestores em cargos mais elevados e de outros departamentos.

O terceiro ponto fundamental é o novo gerente saber quais são as ferramentas que estão ao seu dispor para realizar seu trabalho: as competências de liderança. Além da comunicação, o novo gestor deverá aprender a delegar, fazer follow-up, dar feedback, motivar pessoas e fazer uma gestão rigorosa de sua agenda, entre outras habilidades. Não há atalhos para aprendê-las – o gerente deve conhecer as melhores práticas e exercitá-las.

Por último, a competência mais demandada de todo gerente é a compreensão de sua responsabilidade pelos resultados da empresa. Afinal, não adianta nada o departamento de vendas conquistar um novo cliente, mas os demais setores o perderem por negligência.

Portanto, se um gestor deseja que os clientes sejam atendidos com muito respeito, deve tratar seus funcionários com muito respeito. Pois essa é, provavelmente, a única maneira de gerar uma mensagem consistente e que se propague com a força necessária para ser lembrada por todos, especialmente por aqueles que estão na ponta, em contato com os clientes.

Foi com essas ideias e por esses motivos que escrevi o livro "O Líder transformador, como transformar pessoas em líderes". Espero que ele seja um excelente conselheiro e orientador para aqueles que precisam se transformar em líderes e se sentem sozinhos nessa tarefa. Não mais! Vamos em frente! Juntos!

P.S.: sobre o estudo da Etalent que revela que 85% dos novos gestores não são preparados para a liderança: http://www.etalent.com.br/o-pior-cargo-do-mundo/

SÍLVIO CELESTINO é consultor de carreiras em São Paulo e autor do livro "Conversa de elevador – uma fórmula de sucesso para sua carreira"

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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