Um dos assuntos mais presentes no âmbito cristão e secular é o "pagamento" de dízimo e o seu uso. A pergunta sempre é "por que pagar dizimo"? Textos bíblicos frequentemente citados pelos proponentes do pagamento de dízimo são: Gn 14: 16-20, Lev 27, 30-34, Nb 18, 21-24, Mal 3, 8-10, Mt 23, 23; Lc. 11, 42 e heb 7. Claramente, a prática de pagar dízimo tem sua base na Bíblia. Mas o fato é que não há textos no Novo Testamento que ordenam os cristãos a pagarem. Com referência aos textos em Mateus e Lucas acima, note que Jesus estava se dirigindo a pessoas que estavam vivendo sob a Lei de Moisés: os escribas e fariseus. Com referência ao texto da Carta aos Hebreus, observe que o foco não é a justificação do pagamento de dízimo, mas a afirmação do sacerdócio de Cristo como sendo superior ao sacerdócio levítico.

Encontramos o primeiro ato de dar ao Senhor na Bíblia, em Gênesis 4,1-6: a História de Caim e Abel. Caim trouxe alguns dos produtos da terra como uma oferta para o Senhor; Abel de sua parte trouxe o primogênito de seu rebanho e algumas de suas gorduras também. Veja bem, nem Caim nem Abel foi obrigado por lei a dar 10% do seu produto. Cada um deles decidiu o que daria ao Senhor. Caim deu alguns dos produtos do solo e Abel deu o primogênito de seu rebanho. Ao dar o primogênito do seu rebanho, Abel fez uma oferta agradável a Deus. Foi essa generosidade de Abel que fez Deus olhar com favor para ele e sua oferta.

São Paulo lança muita luz sobre o tema em sua segunda carta à Igreja em Corinto (2 Cor 8 e 9). Em um exemplo, Paulo diz: "Mas lembre-se: quem semeia esparsamente colherá esparsamente também - e quem semeia generosamente colherá generosamente também. Cada um deve dar o quanto ele decidiu por sua própria iniciativa, não sob compulsão, porque Deus ama quem dá com alegria" (2 Cor 9, 6-7). Um modelo muito bom de doação cristã é a viúva pobre que lhe colocou duas pequenas moedas no tesouro - colocou tudo o que tinha para viver (cf. Lc 21, 1-4).

Existem três atitudes em relação à doação: doação de rancor, doação de dever e ação de graças. Rancor diz: "Eu odeio"; dever diz: "eu deveria"; ação de graças diz: "Eu quero." A doação cristã é de ação de graças. Um cristão dá porque ele quer e não porque uma lei diz que ele deveria dar. Portanto, um dízimo é uma doação livre, mas comprometida e regular, de uma quantia decidida em oração. É louvável se, de seu coração e por sua própria vontade, você decidiu dar 10%, 15%, 20% ou 50% de seus ganhos mensais à Igreja. Mas ninguém deve se sentir amaldiçoado se não puder dar 10% de seus ganhos à Igreja. Deus não vai retirar Seu favor porque você não deu 10% de seus ganhos para a Igreja. Não é o pagamento do dízimo que traz à pessoa o favor de Deus. Nós não podemos comprar o favor de Deus. Pelo contrário, é a generosidade do coração de uma pessoa em relação a Deus que faz com que se experimente o favor de Deus.

É verdade que a Igreja precisa de muito dinheiro para sua obra evangelizadora: caridade, sustentação das estruturas e pastores etc. Por isso precisamos dar generosamente à Igreja e ela deve usá-lo para esse fim e não outro. Nossa doação, porém, deve ser ação de graças e não dever.

JACOB YEBOAH (diácono na Paróquia Cristo Bom Pastor, conjunto Lindóia) – Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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