Nosso planeta já conta com 196 países, muito desiguais entre si no que concerne ao seu atual estado de desenvolvimento econômico e social, embora, nos séculos XVIII e XIX, fossem muito semelhantes, quase todos vivendo na extrema pobreza. A partir dessa época, no entanto, algumas nações prosperaram enquanto outras estagnaram ou involuíram, fazendo com que hoje, as 25 nações mais prósperas do planeta usufruam de uma renda per capita anual próxima de US$ 100.000,00 ante apenas US$ 1.000,00 ou até menos, das 20 nações mais miseráveis. O Brasil não figura entre as 25 nações mais prósperas e nem entre as 20 nações mais miseráveis, embora, por sua abundância em recursos naturais poderia estar entre as mais prósperas.

Desde os seus primórdios, o Brasil é decantado como o país do futuro, sonho que nunca se realizou a nível de nação, mas que talvez esteja próximo a realizar-se no âmbito do agronegócio que, no correr das três últimas décadas prosperou, deixando o resto do Brasil a ver navios.

Estudos realizados sobre os motivos que levam nações a prosperar e outras a fracassar apresentam três causas principais, responsáveis por 80% do impacto. A primeira é a de maior importância (50%) e diz respeito ao funcionamento das instituições, as responsáveis por definir as regras do jogo de uma sociedade. O desempenho delas é bastante influenciado pela herança recebida dos fundadores dessas sociedades, cujo maior ou menor empenho no respeito às regras do jogo desenvolveu sociedades prósperas e funcionais ou sociedades falidas.

Corrupção é um dos principais freios ao desenvolvimento de uma nação e é um indicativo de que onde ela vigora, as instituições não funcionam. A correlação entre a corrupção e a pobreza é direta: os países mais miseráveis são, também, os mais corruptos. É regra entre as nações mais pobres que o poder seja exercido por um clã familiar ou político, onde os cargos gerenciais mais importantes são exercidos, não pelos cidadãos mais qualificados da comunidade, mas pelos mais próximos ou mais comprometidos com o clã dominante, onde meia dúzia de cidadãos ficam bilionários e o restante da comunidade sobrevive miseravelmente. A República Democrática do Congo é um bom exemplo dessa realidade.

A segunda causa que mais afeta o desenvolvimento de uma nação, com peso de 20% sobre a performance dessa sociedade, é a cultura da população, a qual tem muito a ver com suas crenças religiosas. A intensidade com que o cidadão segue os princípios da fé religiosa pode levá-lo a desestimular-se pela busca da prosperidade, acreditando que não tem chance mesmo e que seria melhor esperar pela recompensa que terá em outra existência, onde os ricos serão prejudicados, pois "é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus", ensina a Bíblia.

A terceira causa de sucesso ou fracasso de um país (peso de 10%) tem a ver com a geografia. O estudo indica ser desvantajosa a localização do país próximo à linha do Equador, dada a infertilidade e acidez dos solos tropicais e à maior ocorrência de pragas e doenças. Por outro lado, rios navegáveis cortando o território ou território provido de uma extensa costa marítima, contam favoravelmente para um maior ritmo de desenvolvimento.

É verdade que os solos tropicais são ácidos e inférteis, resultando em baixa produtividade. No entanto, não parece aplicar-se ao Brasil atual, que desenvolveu um conjunto de tecnologias adaptadas para regiões tropicais que as tornaram tão produtivas quanto as localizadas em regiões subtropicais ou temperadas.

A geografia favorece o Brasil que conta com quase 8.000 km de costa, tem milhares de km de cursos d'água navegáveis ou com potencial para sê-lo e conta com o 2º maior porcentual de água doce do planeta. Isto, no entanto, não está sendo suficiente para torná-lo um país próspero. Falta ao Brasil um melhor funcionamento das instituições: as políticas, as sociais e as econômicas.

Amélio Dall'Agnol e Osmar Conte são engenheiros agrônomos

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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