Londrina vive um paradoxo: por um lado, as instituições de amparo às crianças e idosos, que vivem em condições precárias, choramingando ajuda da sociedade para manter suas portas abertas e garantir atendimento digno; por outro lado, recursos incalculáveis para essas instituições, só que o dinheiro não chega até elas. Como é isso? É fácil de explicar. Por lei, todos os contribuintes do Imposto de Renda podem destinar até 6% do Imposto de Renda Devido para essas instituições e não o fazem. Em outras palavras: o dinheiro está lá, é só fazer a destinação, mas, por desconhecimento ou comodismo, não a fazemos.

O potencial de destinação dos londrinenses é de dezenas de milhões de reais. Já pensaram no impacto social, educacional e econômico que esse montante representaria para as instituições? Elas poderiam atender um número maior de pessoas, em condições muito melhores. Poderiam construir, reformar ou ampliar suas instalações; comprar móveis, equipamentos, eletrodomésticos, gêneros alimentícios, materiais de limpeza e produtos de higiene. Além de movimentar a economia local, gerando mais renda, empregos e impostos, isso significa mais cuidados, mais higiene, mais saúde, mais educação e mais cidadania para os usuários que delas dependem.

E como isso pode ser feito? Para esclarecer dúvidas e sensibilizar os contribuintes a fazerem a destinação, a Universidade Estadual de Londrina lançou a campanha Por que não? Seu principal objetivo é esclarecer que a destinação é uma atitude simples e fácil e, principalmente, que não irá lhe custar nada, pois não se trata de doação. É como se o contribuinte estivesse dizendo ao governo federal: “Eu quero que uma parte do meu Imposto de Renda Devido fique em Londrina e seja destinado às instituições que cuidam de crianças e idosos.” Com esse gesto, ele estará acionando uma fonte inesgotável de recursos e fazendo com que o dinheiro chegue às creches, escolas e asilos.

Para o contribuinte ficar tranquilo, alguns esclarecimentos precisam ser feitos.

Primeiro. Não se trata de doação, e sim de destinação. O contribuinte não irá gastar nada.

Segundo. A destinação é sobre o Imposto de Renda Devido e não sobre o saldo final apurado, aquele que informa se você tem imposto a pagar ou a restituir. O Imposto de Renda Devido é muito maior que o saldo final apurado. Ou seja, o potencial de destinação é muito maior do que as pessoas imaginam. Quem tem restituição pensa que não pode destinar, mas pode, pois a destinação não é sobre o saldo apurado e sim sobre o imposto devido.

Terceiro. Só pode destinar quem faz a Declaração Anual de Ajuste no Modelo Completo. Os contribuintes que fazem a declaração no Modelo Simplificado não podem fazer a destinação.

No último ano, conforme dados no site da Receita Federal, apenas 313 de um universo de quase 130 mil contribuintes de Londrina fizeram a destinação. O maior problema, sem dúvida, é a falta de conhecimento. Os contribuintes não sabem que podem e como é fácil e rápido fazer a destinação. A partir do momento que souberem e fizerem uma primeira vez, provavelmente nunca mais deixarão de ser destinadores, pois a pessoa irá se sentir muito bem consigo mesma sabendo que está exercendo a cidadania, praticando o bem, contribuindo com as creches, escolas e asilos da cidade e participando da solução de problemas.

Fale com seu contador. Faça a destinação de até 6% de seu Imposto de Renda Devido às instituições londrinenses que cuidam de crianças e de idosos. É lei, é seguro e é muito simples. Não irá lhe custar nada, mas valerá muito para as instituições. Mais informações no site: https://sites.google.com/view/porquenaouel/pagina-inicial

Paulo César Boni, professor aposentado da UEL

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