Por que mais feriados?
Lideranças da indústria, do comércio e da agricultura apelaram aos vereadores de Curitiba para se posicionarem contrários à possibilidade de decreto de feriado municipal nos dias de jogos da Copa do Mundo. A capital paranaense vai sediar quatro partidas da primeira fase do torneio.
A Lei Geral da Copa, que trouxe muitos pontos de interesse da Fifa, foi sancionada em junho do ano passado pela presidente Dilma Rousseff (PT) e deixou a possibilidade da União declarar feriados nacionais nos dias em que houver partidas da seleção brasileira. Também transfere para os municípios a decisão de estabelecer repouso nas datas de jogos nas cidades-sede.
A Fifa defende os feriados nessas localidade justificando questões de mobilidade urbana. A entidade acredita que se as pessoas estiverem de folga haverá menos veículos nas ruas, diminuindo os problemas no trânsito.
As perdas com os feriados já oficiais deste ano devem custar ao País R$ 45 bilhões, sem contar com possíveis interrupções durante a Copa. O cálculo foi feito pela Firjan, entidade que representa a classe industrial do Rio de Janeiro. Esse valor é 2,8% maior do que o estimado para 2013.
Segundo a Firjan, em 2014 o setor produtivo vai parar mais porque 30 dos 44 feriados estaduais vão cair em dias úteis, seis a mais do que em 2013. Oito, dos 12 feriados nacionais acontecerão em dias de semana propícios para criação de pontos facultativos ou gerando a prática de enforcamento. Obviamente, os Estados mais industrializados são aqueles que ficam com as maiores perdas, provocadas pela suspensão na produção.
Esses custos serão ainda maiores caso o País decrete feriado em dias de jogos da seleção. Se o problema é mobilidade urbana, sabe-se que a maioria das escolas estará de férias, diminuindo muito o trânsito. Além disso, é possível planejar com antecedência o deslocamento de torcedores para as áreas dos estádios. As prefeituras podem ampliar as linhas de ônibus para as proximidades das arenas esportivas, incentivando o uso do transporte público, ou definir operações especiais que facilitem a circulação de automóveis, táxis, motos, bicicletas e pedestres nas proximidades dos estádios. Mesmo porque, só uma minoria conseguiu comprar ingressos para os jogos.
Antes de optar pelo feriado, que pode custar muito para a economia do País, é preciso ter certeza de que outras alternativas viáveis foram levadas em consideração.





