Por que Joinville superou Londrina
-------------------
A queda, aqui,
da qualidade
de vida, é que
deve preocupar
-------------------
Certamente que a condição de Londrina como 3 mais importante cidade do Sul (depois de Porto Alegre e Curitiba) era uma marca favorecedora em muitos aspectos, que não apenas o do natural ufanismo. Porque tal posição tem servido como campanha de marketing e propaganda e como força de atração, desde que Londrina alcançou aquele ranking, em 1972. A cidade tinha na ocasião 228 mil habitantes e o prefeito era Dalton Paranaguá. A partir de então, 33 anos são transcorridos e, agora, por um pequeno número de habitantes, a cidade catarinense de Joinville supera Londrina também nesse item, porque já era a terceira da região sul como pólo industrial, em arrecadação de impostos e, especialmente, em qualidade de desenvolvimento humano. A próspera cidade do vizinho Estado é a maior de Santa Catarina e vem crescendo em ritmo mais acelerado que Londrina e isto em quase todos os campos tudo indicando que sustentará o título de Terceira-Cidade, que já vinha assumindo. Isto se deve à sua sólida estrutura industrial, comercial e turística, que veio eliminando a pobreza e melhorando a distribuição de renda. A queda de Londrina, que se acentuou nos anos recentes, deveu-se justamente ao contrário: ao crescimento da pobreza, ao inchaço das favelas, ao aumento da violência e à ausência de ações públicas e também de políticos de qualidade para conter isso. Interessante assinalar que a ampliação populacional de Joinville ocorreu principalmente pela migração de paranaenses, porque também o Paraná perdeu para Santa Catarina no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e em alguns outros indicadores. Na última década aquele Estado eliminou quase 50% o número de pobres, e este foi o melhor desempenho em relação a outros Estados. Houve uma forte melhora da oferta de trabalho e, por consequência, dos ganhos. A razão desse crescimento foi o incremento dos pequenos negócios, convivendo com os grandes, a disposição dos empreendedores envolvidos, o associativismo, o apoio técnico, o abandono da competição predatória e, obviamente, as políticas públicas compatíveis. Números do IBGE mostram que, ali, os ativos que geram riqueza a terra, a tecnologia, a educação e outras estratégias estão muito melhor distribuidos que no resto do Brasil. E, naturalmente, Joinville caminha no mesmo ritmo e é um dos seus agentes. Abrigando também grandes indústrias, Joinville (que tem 148 anos), começou a explorar vigorosamente também o denominado turismo industrial e de descoberta econômica, que consiste de os visitantes de fora verem de perto a produção das fábricas e o modelo de desenvolvimento econômico e social. Também vêm se ampliando o turismo de eventos e o consumo cultural. Já Londrina viu cair seu IDH e perdeu terreno nesse campo inclusive para as cidades co-irmãs de Curitiba, Maringá, Cascavel, Ponta Grossa e Foz do Iguaçu. Superar Joinville e recuperar o título anterior não é o ponto fundamental se a questão for apenas satisfazer vaidades. O problema é a queda da qualidade de vida em Londrina, que é vertiginosa e não dá sinais de avanço, até porque faltam projetos públicos a respeito. Se diversos segmentos da cidade continuam em expansão, há um desnível brutal de condições de vida, ao constatar-se o assustador cinturão da miséria na periferia, a queda da qualidade de saúde e o aumento dos homicídios e dos atentados contra o patrimônio alheio. Se escasseiam em Londrina os políticos de qualidade, se o ritmo do poder público municipal é lento e pouco sensível às críticas, e se a impulsão que dali emana é de baixa densidade, as lideranças da comunidade precisam redespertar a posição de vanguarda. Joinville não é o problema mas um alerta.





