Dentre as várias referências que se fazem em relação ao uso popular dos fogos de artifício, consta que os chineses, que primeiro descobriram a pólvora, assim agiam, remotamente, nas festas comemorativas para "afugentar os maus espíritos". Em nosso meio, ainda que alguns poucos conservem essa noção, muitos, ao que deduz, usam os fogos de artifício para, euforicamente, exaltar datas ou eventos comemorativos.

Alguns, no entanto, costumam utilizar fogos em comemorações como mera reprodução de comportamentos oriundos da tradição familiar.

Lamentavelmente, permanecem arraigados entre nós, como um nonsense, certos costumes que, a pretexto de festejar, consagrar a alegria ou espantar os maus espíritos, acarretam, aqui e acolá, desgraças.

A cada final de ano, recebemos, invariavelmente, tristes notícias acerca de pessoas feridas ou até mortas pelo nefasto uso de fogos de artifício. E, infelizmente, embora a venda de foguetes seja proibida para menores de 18 anos, o fato é que o maior número de vítimas é de crianças e adolescentes.

Grande parte dos usuários nem bem sabe como manusear com segurança os fogos. Não sabe também se os fogos adquiridos foram fabricados de acordo com as normas e regulamentos técnicos. As principais consequências pelo mau uso ou por defeito técnico dos fogos são as queimaduras nos dedos, mãos, tórax, pescoço e rosto, além do que podem, desgraçadamente, causar cegueira, mutilações e até morte.

Felizmente, já faz algum tempo, proibiu-se o uso de fogos de artifícios nos estádios de futebol, onde os torcedores, especialmente das facções organizadas, usavam insensatamente desse expediente. Muitas vítimas sofrem até hoje as consequências pelo negligente uso desse instrumento letal.

Recentemente, durante uma manifestação popular no Rio de Janeiro, um cinegrafista, no exercício do seu trabalho, foi atingido no rosto por um rojão e veio a falecer.

Além das queimaduras, lesões e morte, esse insípido costume traz tantos outros desconfortos para a comunidade.

No final de ano, o espocar de foguetes — como saudação do novo calendário anual — poderá traumatizar o recém-nascido ou a criança de tenra idade, que dorme na sua vizinhança. Poderá também, por outro lado, causar imenso desconforto para a pessoa enferma ou idosa, que precisa de saudável repouso.

Na verdade, reflitamos: nessas circunstâncias, o uso de fogos de artifícios é instrumento de desgraça e desconforto. É um procedimento supérfluo, despido de graça pessoal, que, além disso, acarreta uma inútil "queima de dinheiro".

É preciso fazer uma campanha educativa mais agressiva para acabar ou, ao menos, reduzir drasticamente o uso amadorístico dos fogos de artifício. É tempo também para que se repense essa forma de comemoração muito utilizada até por prefeituras.

Há formas mais saudáveis para celebrar a esperança de um ano melhor. Não serão fogos — em nem o exagero no consumo de bebida alcoólica — que atrairão os desejados fluídos positivos.

Que tal dizer não aos fogos neste final de ano?

Faça uma celebração solidária! Converta em doação, para uma instituição de caridade, o valor que você gastaria na aquisição de fogos inúteis e perniciosos.
Certamente, você contribuirá para a felicidade de outras pessoas e atrairá os espíritos bons!

ANTÔNIO WINKERT SOUZA é procurador de Justiça aposentado em Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res.
Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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