O Paraná chegou nesta quarta semana de março registrando 4.532 casos confirmados de dengue, sendo 143 importados e a grande maioria autóctone (contraído no próprio Estado). Considerando que ainda nem começou o quarto mês do ano e que há ainda 23.540 suspeitas sendo analisadas, o panorama é muito preocupante. Lembrando ainda que nove paranaenses morreram em 2011 em decorrência de complicações provocadas pela doença.
O avanço desse problema no Paraná não é diferente do restante do Brasil, apesar das iniciativas que fazem das campanhas contra a dengue uma das maiores da área de saúde do País. No ano passado foram 33.456 registros confirmados. De 1991, quando a doença reapareceu no Paraná, até hoje, a evolução é contínua, percebendo-se picos em 1996 (3.195 confirmações), 2002 (5.164) e 2007 (25.998).
Na década de 1950, a dengue foi dada como extinta no Brasil, reaparecendo isoladamente na década de 1960 e 1970. Relembrando dados históricos, o combate ao mosquito Aedes aegypti vem do início do século 20, quando Oswaldo Cruz ®MDBO ®MDNM realizou campanhas incansáveis contra a febre amarela. O inseto dissemina as duas doenças.
Se o combate ao Aedes Aegypti foi feito com sucesso em épocas em que a educação sanitária não contava com aliados tão poderosos (jornais, televisão, rádio, internet), por que no século 21 é tão difícil combater o problema? Hoje, a dengue avança descontroladamente e mata ainda mais, pois a forma hemorrágica tornou-se mais frequente.
Políticos e lideranças brasileiras culpam a extinção da Superintendência de Campanhas de Saúde Pública (Sucam) como um dos agravantes do reaparecimento das epidemias de dengue. O órgão foi incorporado à Fundação Nacional de Saúde em 1990, justamente quando os casos começaram a crescer sistematicamente. Ano passado, a reativação da Sucam foi tema de discursos no Senado.
A Sucam era bastante respeitada quando se tratava de combate a doenças porque ela mesmo nasceu como resultado da fusão do Departamento Nacional de Endemias Rurais, da Campanha de Erradicação da Malária e da Campanha de Erradicação da Varíola.
Doze municípios são considerados pela secretaria estadual de Saúde como de alto risco de ocorrência de epidemia. Para vencer a epidemia de 2011, não há tempo de recriar um órgão federal. Moradores e autoridades precisam se conscientizar que o inimigo é um mosquito, o Aedes Aegypti, e que a prevenção da dengue envolve fiscalização, educação e consciência. Os dois últimos são atributos que o cidadão do século 21 já deveria ter de sobra.

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