Por que e para que um Centro de Convenções?
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quarta-feira, 10 de outubro de 2018
Porque Londrina simplesmente merece ter um equipamento para eventos de acordo com a sua importância e para ser palco dessa gente criativa que temos por aqui. Mas, comecemos do início. A economia da cidade cresceu: se fortaleceu a partir do trabalho de pioneiros, cujos descendentes circulam entre nós, motivo de sobra para recuperarmos o espírito corajoso, aventureiro e audacioso daqueles sujeitos. A bravura deles construiu essa cidade pé-vermelho que eu adotei como lar. No entanto, diante de um passado não muito distante e diante de fatos não tão publicáveis, perdemos a ousadia. Acordemos!
É sabido que Londrina é uma cidade criativa, de destaque no País em muitas frentes. Temos cerca de 25 instituições de ensino, parque tecnológico, centros de pesquisa que são referências mundiais, um IDH considerado alto e boa relação custo/benefício para se viver. Nossa economia, fortemente solidificada no agronegócio, caminha a passos largos para a economia dos serviços, cujos ativos são destacados pelas áreas da inovação, dos festivais artísticos/culturais, do turismo de eventos e negócios, entre outros. Esse último nicho, em especial, merece reflexão. Londrina tem cerca de 7.000 leitos, gastronomia diversificada, aeroporto dentro da cidade, ou seja, um bom mix de serviços.
Neste ponto vale ressaltar que na década de 1990 foi construído um Centro de Eventos, com a promessa de que este equipamento supriria as necessidades da comunidade. Este equipamento atendeu sua missão, em parte. Como toda casa, precisa de atualização e manutenção... e para tanto, há a necessidade de gestão profissionalizada. Fora a questão de que, segundo os organizadores de eventos, gasta-se 30% mais para deixar o equipamento com "ares de centro de convenções". O conceito de Centro de Convenções é caracterizado por ampla flexibilização de espaços e qualidade nas negociações do equipamento no que tange à captação de eventos. Agrega-se a isso o fato de que a economia mudou, o mundo está alucinadamente competitivo e nossos concorrentes não estão aqui do lado, estão por toda parte. O mundo globalizado derrubou fronteiras, e nossos concorrentes deram vários passos à nossa frente. Profissionalizemo-nos!
Conforme Michael Porter, a excelência dos serviços é questão fundamental para a economia das cidades, pois passa a ser um diferencial competitivo entre os que querem se destacar em determinados setores. Dito isso, nosso posicionamento como destino para eventos está em xeque, Londrina não está na prateleira, em que pese os esforços do Londrina Convention Bureau. Para que tenhamos uma ideia, monitoramos a realização de 68 eventos apenas no mês de outubro, entre eventos de negócios, culturais, científicos, corporativos, lúdicos, esportivos, etc. Como exemplo, neste mês foi realizado o congresso Lidere da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina). Os dados do site apontam 800 participantes, oriundos de 4 Estados, cuja programação técnica reuniu 28 palestrantes, em dois dias de evento.
Conforme dados da Embratur, um turista de eventos gasta em média R$ 360,00 por dia, que nos dá uma projeção de impacto de cerca de meio milhão de reais distribuídos nos setores de alimentação, hospedagem, transporte, comércio, telefonia, combustível, decoração, equipamentos audiovisuais, montagem etc. Não está somado a esse valor o orçamento investido em contratações diretas para a execução, apenas o gasto dos participantes do evento na cidade. Agora, imaginem um evento desses sendo realizado em Londrina semanalmente? Então, quando te perguntarem sobre os esforços para que tenhamos um Centro de Convenções na cidade, faça as contas e diga sim. Ousemos!
Maitê Uhlmann, mestre em Administração e diretora de Turismo da Codel (Instituto de Desenvolvimento de Londrina
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