Por que combustíveis não baixam nas bombas
Os consumidores perguntam por que a gasolina e o diesel não baixam de preço nas bombas se o valor do barril do petróleo bruto no mercado externo caiu substancialmente, e se o custo de fornecimento do álcool pelas usinas teve baixa, mas o preço não se alterou no varejo. É uma pergunta que não encontra resposta à luz do bom senso e do entendimento popular, mas no caso da Petrobras o que se sabe é que a empresa busca fazer caixa.
Se o preço do barril cai, também o Brasil recebe menos pelo petróleo que exporta, e foram vendidos para o exterior em 2008, em média, 440 mil barris diários de petróleo bruto. Isto somado aos 234 mil barris/dia de derivados, resulta em mais de 670 mil barris. No correr de 2009 a produção estimada será de 2.050.000 barris por dia (cada barril tem 159 litros), e ante a previsão de 1.800.000 barris/dia do consumo brasileiro, haverá uma sobra de 250 mil.
Se o Brasil exporta, também importa, porque as distribuidoras (250 no País) são livres para comprar derivados de quem desejarem, porque o mercado é aberto. A distribuidora da Petrobras abastece 35% do mercado brasileiro e é, portanto, uma espécie de reguladora dos preços básicos internos. Mas tudo isto não explica por que a baixa nunca chega ao consumidor. Veja-se que em meados do ano passado (dois meses antes de irromper a crise financeira) o barril do petróleo estava cotado no elevado patamar de US$ 145 o barril e, no último dia 20, desceu para US$ 51. Lembre-se que em janeiro chegara a US$ 34. Com todas essas oscilações, os preços nas bombas mantêm-se iguais ou em alta no Brasil. O botijão de gás de cozinha, de 13 quilos, vai subir R$ 5. O presidente Lula diz que a gasolina pode baixar para o consumidor, ''contanto que isto não afete os resultados da Petrobras''. Portanto, tal nem chega a ser uma promessa de baixa. Já a empresa alega que a sua política de preços é de longo prazo. Acena que tudo tem relação com o mercado externo, mas foi justamente no mercado global que o custo do barril caiu. Precisamente 65%. Parece que a fórmula não visa contemplar quem consome.
O excesso de produção (na relação com o consumo interno) irá elevar-se em 2009, assim como o volume dos biocombustíveis, e isto, pela exportação dos excedentes, só dará ganhos ao Brasil, e parece que não ao consumidor. Não há indicativo de baixa nas bombas. O sábio caminho é economizar, só rodando o estritamente necessário. Já transportadores de cargas e de passageiros e os viajantes comerciais e prestadores de serviços não podem fazer o mesmo.





