É notório que o assunto da imigração é um dos debates mais fortes na mÍdia, hoje. A situação é de grande crise no mundo. As migrações deixaram de ser um fenômeno limitado a algumas áreas da terra. No Brasil, o número de imigrantes registrados pela Polícia Federal, em 2015, era 117.745.

As pessoas emigram por várias razões. Não se trata apenas de pessoas à procura de um trabalho digno ou de melhores condições de vida, mas de pessoas que são forçadas a abandonarem suas casas, com esperança de se salvarem e encontrarem paz e segurança em outro lugar. Quantos enfrentam conflitos, perseguições, pestes, pobreza, desemprego, desigualdades sociais, instabilidade política, desastres ambientais! Outros emigram voluntariamente. Embora tal movimento seja necessário, poderá ser traumático, devido aos desafios experimentados. A comissão para os Refugiados de ONU afirma que em 2016 ao menos 3.800 pessoas morreram ou desapareceram no mar Mediterrâneo, tentando entrar na Europa.

Ademais, a emigração poderá impactar positivamente ou negativamente no país destinatário e no país original. Para os países receptores, os imigrantes oferecem benefícios: os imigrantes muitas vezes fazem trabalhos que as pessoas no país não irão ou não poderão fazer; os imigrantes contribuirão para a diversidade dessa sociedade, com a tolerância e a compreensão. Não negamos, possa haver desvantagens: exploração de mão de obra barata; atração de elementos criminosos: tráfico humano e de droga. Quando houver percepção de que os imigrantes e refugiados obtenham mais benefícios do que os locais, poderão aumentar as tensões; as preocupações com a imigração ilegal derrubarão os sentimentos contra a maioria dos imigrantes que respeitam a lei.

Existe uma saída? O Papa Francisco disse na sua mensagem no dia mundial dos refugiados, em 2013 que: "A realidade das migrações, com as dimensões que se assumem na época de globalização, precisa ser tratada e gerida de uma maneira nova, justa e eficaz; o que exige, acima de tudo, uma cooperação internacional e um espírito de profunda solidariedade e compaixão". Analisando as principais causas da imigração, constatamos a necessidade de reformas políticas e econômicas que favoreçam o crescimento econômico, a educação, a saúde, a igualdade social, o respeito e a dignidade de cada pessoa.

Apesar das leis emigratórias internacionais e nacionais que protegem os direitos dos imigrantes, é necessário aceitar, acolher e respeitar um ao outro, tanto os imigrantes quanto os cidadãos. Nos países em guerra, precisamos da ajuda da Comunidade Internacional para acabarmos com os conflitos e violências que constringem as pessoas a fugirem. A crise emigratória é uma preocupação de todos. Pode acontecer com qualquer pessoa ou nação. A bíblia enfatiza isso, quando Deus disse ao seu povo: "Não oprimirás o estrangeiro; pois vós conheceis o coração do estrangeiro, e vós fostes imigrantes na terra do Egito" (Ex 23,9).

JACOB YEBOAH, de Gana – África Ocidental, missionário da Congregação Josefinos de Murialdo, graduado em filosofia e ciência sociais e cursando em teologia na PUCPR - Campus Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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