Por ora o anunciado apoio do PMDB ao próximo Governo Lula é ainda um fisiologismo, visando a partilha de cargos, mas se o presidente da República e o grande partido tiverem juízo, o segundo mandato presidencial poderá ser mais eficiente e produtivo. Desde quando apresentou ao Colégio Eleitoral do Congresso o candidato Tancredo Neves – como manifestação contra a ditadura militar, que na verdade já estava exaurida – o PMDB nunca havia se integrado tão unanimemente a nenhum governo, como agora ocorre. Com uma bancada de 18 senadores e 84 deputados federais na nova legislatura, podendo ainda ocupar as presidências das duas Casas e dispor de quatro ministérios, o PMDB será um forte partido no poder, ao lado do PT, e poderá ter grande influência sobre os rumos da segunda administração Lula. Essa estratégia peemedebista visa primeiro o mando, não significando uma união em torno das grandes causas nacionais, até porque nem o Governo e nem este partido de coalizão apresentaram alguma proposta nesse sentido. Negociações do gênero são comuns nas democracias, mas o que marca – para decepção dos cidadãos – é que esse apoio não se estriba em um pacto desenvolvimentista, com eventuais projetos já traçados. Porque, ao decidir por essa posição, o PMDB não apresentou uma agenda de metas e nem exigiu contrapartida do presidente Lula. Por ora, só os cargos. Imagina-se que se o Planalto apresentar suas proposições à votação no Congresso as bancadas peemedebistas as aprovarão, sem saber-se se o partido será também vanguardista em idéias e propostas. Porque, por ora, chega de mãos vazias, parecendo apenas querer ser governo e não exercer governo em sentido amplo, em benefício dos interesses da nação. Óbvio que um objetivo nada oculto do PMDB é pavimentar o caminho para chegar à Presidência em 2010, porque a situação já se desenha favorável. Nas últimas três eleições o partido não disputou esse cargo. Mas se a ambição é esta, o povo espera por outra coisa, que é a presença do partido – já que chega tão ‘voluntário’ – para o grande embate das reformas e a formulação de projetos que afastem a estagnação e o baixo desenvolvimento do País. O presidente Lula só terá a ganhar se tiver a necessária sabedoria para bem administrar esta situação. Será preciso saber tirar proveito de apoio como este, porque é para esse fim que os acordos se celebram e não para a mera ocupação de cargos. É uma especial oportunidade de o ‘novo’ governante tentar o revolucionário governo que apregoou na primeira campanha, mas não realizou.

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