No momento em que o Teatro Ouro Verde, em Londrina, passa por nova reforma e não pode abrigar espetáculos, a comunidade vinculada às artes cênicas e os cidadãos questionam o que há de concreto para, afinal, acontecer a arrancada da construção do tão acalentado Teatro Municipal. Quando a multinacional supermercadista Wal-Mart manifestou interesse em instalar-se na cidade, no ano passado, e havia optado por um terreno central onde se localizava o complexo do outrora Colégio Londrinense um movimento subterrâneo irrompeu, com a força de um vulcão, para impedir a chegada da grande empresa. A razão era o temor da concorrência, e pela primeira vez na história de Londrina o poder público municipal seguiu a corrente dos contrários e colocou obstáculos para o uso privado daquele imóvel, e assinou um decreto de desapropriação, visando desencorajar o entusiasmo da Wal-Mart. Mesmo sem o pagamento da área até por falta de verba orçamentária para a compra o prefeito Nedson Micheleti deu um destino para aquele terreno: a construção do Teatro Municipal. Mas os meses vão passando e, até o momento, o único aceno dado é que está sendo elaborado um projeto de concorrência para o projeto arquitetônico. O argumento tem sido que se buscará recursos federais. Falta porém a formatação do respectivo projeto de viabilidade técnica para obtenção dos esperados recursos, que não serão liberados sem esse requisito fundamental, mesmo que a administração pública municipal pertença ao mesmo partido do Governo federal. Se os ventos são favoráveis para esse pleito, há que atentar que faltam apenas um ano e oito meses para o fim do mandato do presidente Lula e dos companheiros no poder, que compõem o círculos de relações políticas do prefeito de Londrina. O tempo vai se afunilando e, efetivamente, qualquer verba federal só entraria no orçamento do ano que vem. Não se sabe até que ponto a Wal-Mart está decidida a vir para Londrina mesmo que não se instale naquele terreno escolhido, o que aconteceu depois de amplo levantamento logístico. Mas poderá ocorrer de a cidade não ter nem aquela empresa cuja presença em Londrina seria de grande importância e nem o Teatro Municipal prometido. Desde o início da última campanha eleitoral até hoje, um ano transcorreu. A população começa a fazer questionamentos e aguarda uma posição clara, inclusive sobre eventual movimentação do poder público entenda-se a Companhia de Desenvolvimento de Londrina para que a Wal-Mart venha e se instale em outro local. O prefeito Micheleti disse publicamente, no ano passado, que a construção do Teatro Municipal era um ponto importante para ele. Mais que isso, há uma cobrança da comunidade, porque a instalação da Wal-Mart uma vez que fosse aquele o local era uma certeza, que deixou de ser com a desapropriação. O prefeito ficou, portanto, devedor de uma coisa ou de outra.

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