‘‘Arrombar portas por investimento’’. Este é o lema do momento do Governo Lula, que periodicamente brinda a nação com slogans, desde o ‘‘Fome Zero’’ até o ‘espetáculo de crescimento’ e os que se sucederam, quase todos de curta durabilidade porque apenas palavras. Quem constrói a frase é José Dirceu, agora nomeado presidente da Comissão de Incentivo aos Investimentos Produtivos Privados, e para tanto conta com o respaldo presidencial. A oposição faz gracejo do tipo ‘lá vem de novo o bravateiro’, a quem não atribui autoridade moral depois do envolvimento com o ‘caso Waldomiro Diniz’. Agora com essa função específica, Dirceu diz que vai ‘arrombar portas’ no Brasil e no exterior atrás de investimentos para infra-estrutura e para manter o crescimento de que o País precisa. Todos esses planos soam bem como discursos, mas como pouco tem dado certo desde que Lula assumiu o governo, a nação já não crê muito em festa de arromba. José Dirceu, que já foi politicamente o homem forte deste governo, já não desfruta de grande prestígio, nem no círculo da companheirada e nem no das lideranças partidárias, porque é brigão e tem criado muitos pontos de atrito. Sua bandeira de propaganda é ‘‘resolver o problema da infra-estrutura do País’’, e se ele o conseguir da forma fácil como lhe saem as palavras, será um olímpico campeão, como jamais a história brasileira conheceu na administração pública. Porque, resolvidos os problemas de infra-estrutura, tudo estará resolvido e nem será necessário correr o mundo e ‘‘arrombar portas’’ de investidores, porque eles virão por conta própria e por natural indução. São esses arroubos que desacreditam as investidas propagandísticas. Melhor seria o governo ir começando pelo começo e corrigir distorções infra-estruturais aqui e acolá, estas que têm dificultado não só o ingresso de investidores estrangeiros mais antes de tudo os nacionais. Projetos setorizados de mudança, bem fundamentados e programados com modéstia porém com firmeza, tornariam mas crédulas as promessas do governo. Ir fazendo e ir mostrando, isto seria o ideal, sem mirabolantes arroubos como este de resolver tão rapidamente, como a fugacidade das palavras, o problema da infra-estrutura. José Dirceu não tem uma tão rica acumulação histórica que o credencie para tanta coisa. Em algo tem razão: ao dizer que o Brasil é um país preparado para grandes saltos – e não pode mérito governamental e sim dos cidadãos – tanto na área empresarial como na tecnológica e em sua disponibilidade de trabalhadores. Estes, sem dúvida, dispostos a trabalhar, até porque muitos são desempregados, e a qualificar-se profissionalmente até onde for exigido. Também é verdade o que diz sobre o elevado nível do agronegócio. Tudo vai bem enquanto não se esbarra na emperrada infra-estrutura burocrática e na deficiente infra-estrutura instalada que se vincula à cadeia produtiva. O representante governamental agora nomeado para ser o incentivador dos investimentos produtivos privados deveria começar por aí o seu trabalho.

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