Por muito pouco
Relatório divulgado ontem pela Comissão Econômica para América Latina e Caribe) Cepal traz mais um levantamento de resultado assustador. De acordo com o documento, a América Latina tem hoje 221 milhões de pobres, o que representa 44% de sua população. Esse porcentual compromete seriamente a meta estabelecida na Declaração do Milênio da ONU (Organização das Nações Unidas), que pretendia ver reduzida em 50% a miséria até o ano de 2015. Isto porque, pelos balanços dos anos anteriores, registra-se evolução acentuada, como ocorreu entre 1990 e 2001, que pelo levantamento da Cepal apresentou aumento de 10 milhões de pessoas na miséria. E de 2001 até hoje, o aumento foi de sete milhões de pessoas, passando de 214 milhões aos 221 milhões. Argentina, Venezuela, Paraguai e Uruguai seriam os grandes vilões dessa história, segundo a Cepal. Reportagem sobre o tema pode ser lido nas páginas de Geral, neste caderno.
O fato de o Brasil estar fora da ponta de mais um ranking negativo não é motivo de euforia. Nestes últimos meses de mandato do atual governo, a crise econômica bateu de raspão por vários momentos no intolerável. Houve um controle, após definido o sucessor, mas as sequelas serão inevitáveis. Com as mais recentes altas dos combustíveis, refletindo de imediato nas gôndolas dos mercados, a população já sente, na ida às compras de produtos básicos, que a esponja de aço de primeira qualidade tem que ser trocada por outra, de terceira categoria. Tomara que os estragos tenham pouco efeito e a esperança de mudança depositada no novo presidente seja correspondida.
Walter Ogama





