Parabéns pelos expressivos números da 41ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina. Realmente são números que elevam o nome de nossa cidade e que certamente a cada ano irão surpreender e agradar aqueles que participam diretamente da feira. Porém, não podemos dizer que os moradores do Jardim São Francisco de Assis, vizinhos ao Parque Ney Braga, estão comemorando com a mesma felicidade e intensidade dos comerciantes, expositores, pecuaristas e diretores da Sociedade Rural do Paraná.
Durante os dez dias da feira, enquanto milhares de pessoas se divertiam, bebiam, comiam da melhor carne e faziam negócios milionários, os humildes moradores desse bairro tinham que lutar com unhas e dentes para garantir a integridade de seu patrimônio, além de conviver com a insegurança e a intranquilidade. Neste bairro, durante 355 dias do ano predominam a paz e tranquilidade total.
Nos dias que antecederam a feira, uma passadinha de calhação no meio-fio, uma roçada na grama da praça da igreja, os fiscais da prefeitura cobrando a taxa dos que irão explorar estacionamentos não oficiais, uma vassourada aqui, outra ali e pronto. Tudo pronto, tudo bonito para a maior festa da América Latina.
Começa e festa e junto os problemas: roubos, algazarra, brigas, barulho infernal até altas horas (será que é necessário testar o som do parque às 3 horas da manhã?), carros estacionados no portão das residências.
Policiamento? Só no acesso principal do parque que, aliás, proibia os moradores do bairro a adentrar, mesmo que estes insistissem em mostrar a documentação do veículo, comprovando morar no bairro. Assim, o morador foi obrigado a seguir e enfrentar a longa fila de veículos que fluíam em direção ao parque (certo dia demorei 40 minutos para chegar em minha casa). É claro que, dentro do parque, o policiamento garantiu a segurança das 723.742 pessoas que pagaram ingresso.
Existe na cidade um movimento para que os estabelecimentos que proporcionam música ao vivo tenham projeto acústico para não atrapalhar a vizinhança. Esse pessoal precisava passar uns dias no bairro na época da Exposição. Seria interessante vê-los tentar assistir à TV com o locutor do rodeio rosnando em seus ouvidos, ou, acompanhar outro programa com o grupo Jota Quest ou o cantor Daniel soltando a voz e suas tietes gritando e delirando na sala de sua casa. Se quiserem, estou a disposição para acomodá-los em minha casa da próxima vez.
Passados os 10 dias da feira, a paz e a tranquilidade estão restabelecidas e quase todos os problemas resolvidos. Quase? Por que quase? Quase todos foram embora, o parque de diversões, as máquinas, as barraquinhas, os expositores, os animais. O que ficou: o mau cheiro, as moscas, as varejeiras.
Em plena época em que o País luta para combater os males transmitidos por insetos, somos obrigados a conviver com mais este problema. E pergunto: até quando? Às autoridades responsáveis eu pergunto: cadê as providências? Ou os senhores não sabem do problema?
Aproveito a oportunidade para convidar os responsáveis pela feira para um almoço de Páscoa juntamente com minha família. Iremos saborear uma deliciosa macarronada preparada pela minha mãe, acompanhada de vinho, cerveja, frango assado, moscas, varejeiras e um aroma inconfundível de urina de vaca misturada com estrume.
Seria oportuno a Sociedade Rural destinar uma pequena parcela dos quase R$ 110 milhões movimentados na feira para cuidar do bem-estar daqueles que, passados a alegria e a satisfação do sucesso da feira, ficam com as lembranças do evento (moscas e mau cheiro), e que, de uma maneira ou de outra colaboram para a realização do evento.
- EMÍLIO CÉSAR PEREIRA, Londrina

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