Popularização do turismo enriquece o País
Popularização do turismo enriquece o País
Alex Canziani
O mundo passa, de vez em quando, por ondas de mudanças econômicas revolucionárias e estamos atravessando uma delas neste momento: a onda do turismo. O turismo faz parte de um guarda-chuva de serviços em que se abrigam as pérolas da chamada Nova Economia. De fato, não faz muito tempo, associavam-se as atividades turísticas, invariavelmente, ao lazer despreocupado das classes dominantes, a um luxo completamente inacessível ao cidadão comum.
Os números mostram, contudo, que esta imagem nada mais representa que ecos tardios de um passado já superado. Dados estatísticos disponíveis dão-nos uma idéia do gigantismo que hoje caracteriza as atividades turísticas. Estimativas da Organização Mundial do Turismo e do Conselho Mundial de Viagens e Turismo indicam, por exemplo, que o setor apresentou em 1998 um faturamento global da ordem de US$ 4,4 trilhões, fruto de 625 milhões de chegadas de viajantes. Este movimento ciclópico de gente e de dinheiro foi o responsável pela manutenção de nada menos que 231 milhões de empregos, pelo ingresso de US$ 439 bilhões de divisas nos países receptores e pelo pagamento de US$ 802 bilhões em impostos.
Tamanha geração de riqueza, renda e empregos não pode ser desprezada por nenhuma nação. No caso do Brasil, torna-se um atrativo particularmente interessante, diante dos inúmeros problemas sociais que carregamos.
Interessa-nos dinamizar o turismo porque temos a ingente necessidade de gerar empregos. Neste sentido, o setor representa um manancial de criação de postos de trabalho, já que é uma atividade ainda intensiva em mão-de-obra e, melhor ainda, em mão-de-obra pouco especializada.
Assim, a relação investimento/emprego é muito inferior à observada em outros setores. Estima-se, por exemplo, que cada emprego gerado na indústria automobilística brasileira demande R$ 700 mil, contra apenas R$ 40 mil no setor turístico. Ressalta-se, ainda, o fato de que o turismo é uma das principais fontes de criação de primeiros empregos e de constituição de pequenas e microempresas.
A transformação do País em uma potência turística deve figurar com destaque nas prioridades. Há motivos para isso. O crescimento setorial pode ser constatado, por exemplo, no fato de que, entre 1994 e 1998, o número de desembarques de vôos nacionais praticamente dobrou, passando de 13,8 milhões para 26,5 milhões, enquanto a proporção da venda de pacotes turísticos domésticos saltou de 30% para 60% do total no mesmo período.
São números expressivos, mas que, paradoxalmente, também nos mostram o longo caminho que ainda temos a percorrer e que só agora começamos a descortinar. A questão do transporte é um deles.
Hoje em dia, com o barateamento dos transportes de longa distância e a diminuição dos custos de informação e de comunicações, deixaram de existir os destinos turísticos inviáveis. Qualquer que seja a origem dos viajantes e suas preferências, qualquer que seja seu nível de renda, haverá um número crescente de alternativas de lazer turístico disponíveis em todos os quadrantes do Planeta. A concorrência aumentou dramaticamente.
Por isso precisamos ficar atentos. Se quisermos alçar o Brasil à condição de potência turística mundial teremos que investir muito, e durante muito tempo, na formação de adequada infra-estrutura turística. A despeito de todas as dificuldades financeiras enfrentadas do País, logrou-se implementar numerosas iniciativas voltadas para a dinamização do turismo no Brasil.
A iniciativa partiu do governo, mas sua continuidade não pode mais depender apenas da vontade política oficial. Na verdade, podemos observar hoje como que um despertar conjunto dos atores envolvidos, direta ou indiretamente, com a indústria turística. Este movimento faz-se sentir, de modo mais imediato, na expansão dos negócios, no aumento do fluxo de viajantes brasileiros e estrangeiros e na disseminação da idéia de que o setor apresenta vital importância para a saúde da nossa economia.
A Câmara dos Deputados também acordou para a necessidade de participar ativamente dos debates que se travam sobre os rumos presentes e futuros da indústria turística no País. Exemplo claro deste ponto é a constituição da Subcomissão de Turismo da Comissão de Economia, Indústria e Comércio, à qual pertencemos. Seus trabalhos têm contribuído para enriquecer a troca de idéias entre empresários, parlamentares e autoridades do setor e são a prova viva de que o aumento da importância do turismo é um processo irreversível.
Dentro da subcomissão, já detectamos algumas necessidades básicas. Os mapas demonstram que o Brasil está fisicamente distante dos grandes mercados turísticos, como a Europa, os EUA e o Japão. Desta forma, é fundamental que criemos uma massa crítica de viajantes a partir do próprio País e de nossos vizinhos sul-americanos. A este respeito, muito ainda está por fazer.
É chegado o momento, portanto, de lutarmos para que o turismo ocupe o lugar de destaque na economia nacional que lhe é devido. Precisamos esquecer as diferenças ideológicas, partidárias e pessoais e propomos uma profícua união na busca de soluções que permitam o aproveitamento de nossas potencialidades e talentos nesse campo.
- ALEX CANZIANI SILVEIRA é deputado federal pelo PSDB-PR





