Popularidade de Lerner
Se o governo tem momentos difíceis como declarou ontem o governador Jaime Lerner imagine-se que o povo os tem na mesma proporção. O pronunciamento foi feito a propósito da pesquisa desta semana do jornal ''Folha de S.Paulo'', que coloca o governador paranaense em último lugar em popularidade, entre os dez avaliados. A impopularidade de Lerner está na exata equivalência da insatisfação dos paranaenses, ante tantos acontecimentos desagradáveis que marcaram os sete anos do atual governo.
As 41 viagens do governador para fora do País, nesse período nunca suficientemente justificadas como proveitosas para a população demonstraram que o viajante se importou pouco com o que a opinião pública pensava acerca dessas ausências. A obsessiva decisão de vender a Copel o que, felizmente, não se concretizou foi um desgaste para o governo, porque a grande maioria dos paranaenses manifestou-se contra, através da pesquisa direta e da posição de quatrocentas entidades representativas da sociedade. Também essa manifestação da cidadania não sensibilizou a comunidade palaciana.
Mas não apenas isso: ao final do affaire Copel descobriu-se a trama representada pelas parcerias que a atual diretoria da empresa criou, para beneficiar terceiras pessoas, ligadas ao governo, caso a venda ocorresse. Fatos como esse põem por terra a confiança popular em qualquer governo. E mais: os desvios da Banestado Leasing, a compra dos denominados títulos podres que oneraram o Banestado e que o comprador do banco (o grupo Itaú) pagou mas não assumiu, tomando como reféns, por conta disso, ações da Copel um montante de R$ 500 milhões que figura como um grande ''mico'' do governo.
O esbanjamento dos Jogos da Primavera, a mostrar descaso com o dinheiro público em tempo de dificuldades; os escândalos na Polícia Civil, que culminaram num atentado a edifício público, para destruição de provas; o favorecimento às multinacionais do setor automotivo; o escândalo do caixa 2 da Prefeitura de Curitiba, que indiretamente arranha a imagem do governo estadual, porque prefeito e governador são do mesmo partido e politicamente muito vinculados; os recebimentos antecipados dos royalties de Itaipu; a elevada dívida pública, que se é um mal da maioria dos governos estaduais do momento é um entrave para as próximas administrações e um ônus para a população; a atual greve dos servidores públicos do Estado, que já dura três meses, etc. Tudo isso levaria à inevitável impopularidade do governo.
A desastrada implantação do modelo de pedágio vigorante nas rodovias paranaenses deixou aos usuários de veículos e por extensão todos os cidadãos, pelos naturais reflexos econômicos uma nefasta herança, que terá uma sobrevida de longos 22 anos. Impossível que um governo que tenha envolvido o Estado em tal situação ganhe simpatia popular. Se o Paraná-cidadão vai bem e apresenta índices de crescimento, com perspectivas de melhores safras agrícolas, isto não se deve a políticas governamentais, mas ao arrojo dos paranaenses, que se não podem contar com os governos, operam apesar deles.
Lê-se agora que o governador Jaime Lerner tenta recuperar popularidade, mas não se imagina como isso possa ocorrer. Seria necessário que, a um passe de mágica, todos os problemas citados se diluíssem como nuvens ao sopro do vento. O ano de 2002, último do atual mandato governamental, se encarregará de tirar do cenário as preocupações do povo com seus governantes, porque começará a ocorrer uma contagem regressiva, e cada dia a mais será um dia a menos.





