População urbana alimenta insetos
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sábado, 22 de fevereiro de 2003
Betânia Rodrigues<BR>Reportagem Local 
Onde há lixo existe inseto, onde há inseto a chance de adoecer é maior. Nesse caso, sofre o corpo e o bolso até que a cura seja encontrada. O verão é a época ideal para a proliferação das pragas que atormentam as pessoas dia e noite. Entre elas pode-se citar o cupim, a barata, a formiga e os mosquitos em geral.
No momento, o mosquito Aedes aegypti e o cupim são os mais evidentes em Londrina. O primeiro é causador de um surto de dengue na zona leste e o outro é um problema crônico que atinge a porção leste, oeste e sul da cidade. ''São áreas onde há mais espaço físico, casas de madeira e muitas árvores: fonte inesgotável de alimento'', explica o técnico-agrícola da Secretaria de Meio Ambiente (Sema), Sidney Antonio Berto.
De acordo com Delcio Garcia Martins, coordenador de capina e roçagem da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Londrina tem 20 mil terrenos particulares baldios. O abandono transforma esses locais em lixões onde, além do mato, encontra-se latas, plásticos, garrafas, vidros, sobras de material de construção, lixo doméstico e até animais mortos. Desse total, apenas 15% foram limpos pelos proprietários depois que a prefeitura exigiu o cumprimento da lei nº 4.607, artigos 106 e 107. Os demais estão sendo 'varridos' por empresas terceirizadas que cobram o serviço através de boleto bancário para o município. A expectativa de Martins é que até o final de março o trabalho esteja concluído.
Se os proprietários usassem, pelo menos, metade do terreno com cultivo, poderiam obter 50% de desconto no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Quando o imóvel em questão mede mais que cinco mil metros quadrados, a isenção pode chegar a 80%. A concessão desse benefício foi autorizada por uma lei municipal aprovada em 2001 pela Câmara de Vereadores que, segundo Martins, é aproveitada por 20% dos interessados. ''Falta divulgação'', conclui.
Somente na semana passada, o mutirão de combate ao mosquito Aedes aegypti recolheu 32 toneladas de lixo dos Jardins Santa Fé, Monte Cristo e Marabá, todos na zona leste da cidade. Na opinião de Moacir de Souza, gerente da Fossil Saneamento Ltda, falta consciência da população. ''Há cerca de três anos, a Vega mantinha dois conteinêres entre o Santa Fé e o Monte Cristo que foram retirados depois de destruídos'', alegou.
Segundo ele, existem alguns pontos da cidade de difícil acesso aos caminhões, principalmente quando chove. A baixada do Jardim João Turquino e algumas ruas dos Jardins Catuaí e do União da Vitória, são bons exemplos. Para atender essas áreas, Souza afirma que a Fossil disponibiliza um caminhão e quatro coletores às quartas e quintas-feiras. Enquanto o caminhão percorre a principal via do bairro com dois coletores ou outros vão até as ruas mais distantes buscar o lixo. ''Em poucos dias teremos uma solução definitiva para o problema que, na verdade, é mais cultural do que operacional'', prometeu o presidente da CMTU, Wilson Sella.


