População mundial desordenada e preocupante
Um fato foi publicado ontem em todos os jornais: os Estados Unidos chegaram, exatamente terça-feira pela manhã, aos 300 milhões de habitantes, ao tempo em que a população mundial era, nesse momento, de 6 bilhões e 585 milhões. No caso americano, mais em evidência em face desse acontecimento, o sinal de alarme soou na grande nação. Aumento de gente no planeta é sempre preocupante, embora China e EUA especialmente, mesmo caminhando lado a lado com suas próprias pobrezas, tenham também progredido economicamente à medida que sua população expandiu-se. O caso chinês foi surpreendente. Por um lado, mais gente significa mais produção e mais consumo, o que acelera a economia; porém, a realidade gravíssima é mais gente por metro quadrado, desejando mais ar para respirar, mais emprego, mais moradia e mais alimento. Porque, se até o ar pode faltar é porque mais população resulta em mais poluição, incluindo a atmosférica. E é esta a maior preocupação dos norte-americanos ao chegarem àquela cota populacional. Porque eles são os maiores emissores globais de dióxido de carbono e sua comunidade industrial não mostra interesse em baixar esse recorde. Por vontade inclusive do presidente George Bush, de família petroleira e capitão-mor do país símbolo do capitalismo triunfante mas igualmente predador. Foi ele que não quis assinar o Protocolo de Kyoto. Dos 6 bilhões e meio de moradores da Terra, jovens de 15 a 24 anos formam 1 bilhão, significando pessoas buscando emprego ou estreando nele ou prestes a ingressar na disputa por trabalho, cada vez mais acirrada e seletiva. No início da era cristã havia no mundo 285 milhões de habitantes. A previsão é de 6 bilhões e 800 milhões em 2010, de 7 bilhões e 500 milhões em 2020, 8 bilhões e 200 milhões em 2030 e 9 bilhões e 200 milhões em 2040. Uma perspectiva assustadora, porque o crescimento desordenado pode resultar em catástrofe se não forem encontrados caminhos amplos e coordenados de resposta social aos muitos dramas mundiais, incluindos o da fome e das doenças graves. A Organização das Nações Unidas diz que nada mudará para melhor, ''a menos que governos, patrões e mesmo empregados criem mais empregos''. Porque da atual população do mundo quase metade vive na pobreza, pois recebe em média o correspondente a 2 dólares/dia. Nascem no mundo 77 milhões de pessoas por ano, e de toda a população 20% habitam países ricos e 80% os países pobres, onde há menos controle da natalidade. O desequilíbrio social é estarrecador, enquanto governos e povos insensatos gastam suas reservas econômicas em armamento, sem atentar que a grande bomba social é a miséria e a degradação ambiental, que afetam a produção de alimentos, o abrigo e a água potável. A necessidade de controlar os nascimentos é inadiável, mas o caminho a percorrer é longo. Porque primeiro é preciso educar e conscientizar. Tarefa nada fácil, porque povos ricos e supostamente educados e conscientes são belicosos e adeptos das guerras, despreocupados com os problemas sociais do mundo e grandes poluidores e destruidores da natureza, tanto a vegetal e a animal quanto a do ar e das águas, e pior que tudo, a natureza humana.





