No gráfico comparativo entre os estados do Paraná e Santa Catarina do IBGE, sobre a taxa média geométrica de crescimento anual da população residente, é possível perceber a tendência maior de crescimento da população catarinense em relação à paranaense. A pesquisadora da UEL, Tânia Maria Fresca, explica esse processo.
Entre a década de 1950/60, o Paraná cresceu mais que o dobro de Santa Catarina 7,16 contra 3,04, respectivamente impulsionado pela conquista de novas porções de terras mais para o interior do Estado. Boa parte desses migrantes rumavam para o norte paranaense, cujo centro de atração era Londrina. No mesmo período, Santa Catarina sofria um processo de ocupação menos intenso, já que boa parte de seu território já havia sido explorado.
Nos anos 60/70, o ritmo do crescimento da população residente do Paraná se desacelera mas ainda continua alto. Na comparação, as taxas entre os dois estados se aproximam. Na década seguinte, 70/80, o crescimento paranaense foi pífio apenas 0,07. Já o catarinense caiu numa velocidade bem menor, passando de 3,20 para 2,26. Tânia esclarece que no Paraná aconteceu o rompimento na sua principal estrutura produtiva, a agrícola. Esse movimento, segundo ela, apoiou-se não somente em questões climáticas, como a seca, mas também por políticas federais e pela modernização da exploração do campo. ''Isso tudo provoca a evasão de grandes contingentes populacionais para o centro-oeste'', destaca. Em Santa Catarina, segundo a pesquisadora, esse processo foi menos intenso.
Entre os anos 80/90, a população paranaense volta a crescer, mas agora em patamares menores, o que Tânia classifica como uma ''acomodação'' populacional. Enquanto isso, os catarinenses invertem a situação apurada nas décadas de 50/60 e registram crescimento duas vezes maior do que no Paraná.
Na última década, os índices dos dois estados se aproximam, mas Santa Catarina mantém um percentual maior. A professora aponta que nesse período aconteceu o chamado ''fluxo de retorno''. As populações que migraram nas décadas anteriores retornam ao Paraná, atrás dos empregos prometidos com o incentivo à industrialização, sobretudo na área de influência da Região Metropolitana de Curitiba.
Considerando apenas Londrina e Joinville, os escritórios do IBGE nestes municípios, apontam algumas particularidades. De acordo com o pesquisador da cidade catarinense, Wilson Barbosa, a industrialização que era o principal atrativo para as populações de migrantes, hoje já não oferece o mesmo apelo, principalmente entre os trabalhadores com baixo grau de qualificação. Ele salienta ainda que a tendência para os próximos anos é que integrantes das camadas mais baixas da população migrem para outras regiões atrás de emprego. Em Londrina, o ritmo de crescimento vegetativo também vem caindo gradativamente, com a tendência de envelhecimento da população e com a diminuição da quantidade de filhos por casal. L.A.

Taxa média geométrica de crescimento da população residente (%)
DÉCADA PR SC
1950/60 7,16 3,04
60/70 4,97 3,20
70/80 0,07 2,26
80/91 0,93 2,06
91/00 1,47 1,87
Fonte: IBGE

mockup