Para os moradores dos bairros com maior número de homicídios registrados em Londrina, a crescente violência se deve às drogas, à falta de emprego e também ao preconceito inclusive das autoridades.
A empregada doméstica Natalina Santos Ribeiro, 50 anos, mora na Rua Seringueiras, entrada para o Jardim Nossa Senhora da Paz, bairro que mais registrou homicídios este ano. ''Temos gente de família trabalhando para tentar sustentar os filhos, mas as autoridades nem aparecem aqui porque tem preconceito, assim como o resto da população. A violência que está acontecendo na nossa região é provocada por gente de fora'', critica Natalina, denunciando também a entrada de drogas no bairro por ''grandões da burguesia''. ''Como os jovens que vivem aqui não conseguem emprego, eles acabam nas mãos desses caras. Isso sem contar as condições em que vivemos'', comenta.
O aposentado Manoel Rodrigues de Souza, 70 anos e morador do Jardim Leonor há 32 anos, afirma que o bairro é tranquilo e também menciona o desemprego como o principal problema. ''O que está havendo é confusão com bairros perto daqui, onde têm mais violência. O que falta para as pessoas é trabalho'', resume Souza.
Já para o servente de pedreiro Leandro Alves da Silva, 16 anos, ouvir tiros durante a noite passou a ser rotina no Jardim Santa Rita. ''Os tiroteios acordam a gente no meio da noite. Acho que o problema maior são as drogas, mas de qualquer maneira, não saio daqui de jeito nenhum'', enfatiza Silva, que se orgulha do bairro onde mora com o pai.
Mesmo pensamento tem a auxiliar de costura Lucilene Celestino, 33 anos, moradora do Jardim Santiago desde os sete anos. ''Nunca pensei em mudar daqui, mas fui obrigada a sair do emprego para acompanhar mais o meu filho. Ele já foi ameaçado na escola por gangues que andam soltas pelo bairro'', diz Lucilene, destacando que a casa onde mora havia sido assaltada há pouco mais de um mês. ''Eles invadiram meu quintal e levaram uma máquina de lavar e a roupa estendida. A vida aqui mudou muito nos últimos anos.''

mockup