Paulo Bombassaro afirma que o Plano Diretor prevê a expansão do perímetro urbano do município. ''Já estão previstas áreas a serem ocupadas. No quesito espaço, não há risco de estrangulamento'', explica o arquiteto. Humberto Carvalho, do Ippul, diz que os loteamentos a serem explorados na Zona Sul serão de baixa densidade demográfica. ''É a área onde os condomínios de alto padrão vão se popularizar'', afirma o gerente.
Entretanto, Yoshiya Nakagawara afirma que esta venda de lotes representa um potencial pouco benéfico. ''Centenas de loteamentos são comercializados em Londrina e seu retorno, em termos de investimento, pela valorização fictícia (decorrente do marketing de grandes empreendimentos, como os condomínios horizontais) e mercadológica, muitas vezes supera qualquer investimento atual. Pela crescente demanda, alguns investidores conseguem retornos consideráveis em torno de 30% a até 40% sobre a valorização do terreno'', explica a professora.
O problema é que este tipo de especulação é um chamariz para ocupações. ''A valorização fundiária demora algum tempo. E estas áreas serão pobres de pessoas, vazias, sem segurança'', afirma Yoshiya. A professora trabalha atualmente num estudo sobre os riscos urbanos de Londrina, que aponta que a cidade ainda conta com 24 áreas de ocupação completamente irregulares, num universo de 7.645 habitantes, onde o município deixa de oferecer itens básicos de infra-estrutura.
Mesmo entre os loteamentos aprovados, alguns deixam a desejar condições de vida. ''Loteamentos regulares são aprovados da forma mais irresponsável possível, tanto do ponto de vista social quanto econômico, com a falta de rede coletora de esgoto'', critica a professora. Este é o caso, por exemplo, do Jardim São Jorge, na Zona Norte, onde ainda não há rede de esgoto e asfalto, entre outras ausências. ''Aqui, falta posto de saúde e outra creche. Fazemos as necessidades numa fossa'', afirma Valdevino Calixto Conceição, morador do bairro há cinco anos.
Em áreas não regularizadas, como o assentamento Nossa Senhora Aparecida, vizinho ao São Jorge, o abandono é maior. ''Falta um posto de saúde por aqui. Da última vez em que minha menina ficou doente, tive que levá-la até o Cinco Conjuntos, uma caminhada enorme. Água encanada, agora tem, porque puxamos da rede mestre que passa pela rua. Antes, tínhamos que andar dois quilômetros até uma mina'', afirma Carlos dos Santos, que mora com a esposa e dois filhos num barraco apertado. A higiene é feita com baldes d'água e não há energia elétrica.
Carlos personifica uma das razões do crescimento gigantesco de Londrina: a busca de centenas de famílias por melhores oportunidades. ''Vim de Cambé, onde pagava aluguel, era muito caro. Em Londrina, esperava melhores oportunidades de emprego, é uma cidade grande'', afirma. No assentamento há dois anos, Carlos vive de bicos.
A dona de casa Júlia Souza Davide, que mora com dois filhos e um neto no local, diz que a solução do Nossa Senhora Aparecida passa pela regularização. ''Aí, as coisas vêm mais fácil. A prefeitura precisa olhar mais pra cá'', pede a moradora.

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