População, a maior prejudicada
Sem aulas há pelo menos 20 dias, é inegável que a greve dos professores da rede estadual de ensino e das universidades estaduais prejudica, principalmente, a população. Somente nas escolas públicas são quase 1 milhão de crianças e adolescentes sem aula em todo o Estado, mais os milhares matriculados no ensino superior. Além de prejuízos aos comerciantes, como já apontou a FOLHA recentemente, agora há um outro efeito colateral: a possível suspensão do vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Sabe-se que a seleção da UEL é um dos eventos que mais movimentam a cadeia econômica da cidade. A rede hoteleira da região atinge taxas máximas de ocupação, restaurantes, lanchonetes, shoppings e casas noturnas lotam, o que certamente se traduz em maior arrecadação de impostos. Portanto, suspender o vestibular atingirá em cheio os empresários e o próprio município.
É, claro, que os dias sem aula que já passam de 50 dias se for considerada a paralisação do início do ano letivo prejudica, e muito, os estudantes do terceiro ano do Ensino Médio da rede pública. No entanto, há que se chegar a um consenso entre a reposição do conteúdo e a retomada das aulas.
Vale salientar que a greve do funcionalismo público é direito constitucional. E, por isso, não se trata de discutir a sua legalidade. No entanto, os prejuízos devem ser ponderados. A mudança na Paranaprevidencia, um dos motivos da paralisação, já foi contestada pelo Ministério Público junto ao Tribunal de Contas que decidiu arquivar a medida cautelar na última semana - e pelo Ministério da Previdência. O índice de reajuste de 5% oferecido pelo governo do Estado está abaixo do índice de inflação que nos últimos 12 meses ficou em 8,17% -, mas é preciso lembrar que pode-se contar com os meios legais.
O momento é tenso e delicado e, por isso mesmo, pede bom senso e calma até para a retomada do diálogo sempre a melhor opção.





