Mais importante do que uma disputa por hegemonia, o que importa para um município é o índice de bem-estar e de satisfação de seu povo. No cotejo entre Londrina e Joinville - já convertido em ''clássico'' regional sul, ressalta-se entre as coisas boas um certo ardor de disputa mútua, e isto pode favorecer, de parte a parte, a reformulação de modelos e de políticas públicas. O repórter deste Jornal, Widson Schwartz, põe ânimo na torcida londrinense ao mostrar - na edição de ontem - que Londrina perdeu alguns pontos mas não perdeu a força.
E o presidente do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina, Nelson Brandão, faz a observação de que ''Joinville é pontual e Londrina é regional''. As razões: a metrópole catarinense, basicamente industrial, está isolada, apresentando limitações topográficas e territoriais, uma delas a baía, tendo o porto de São Francisco do Sul no outro lado; e a sua igual paranaense não tem limites e situa-se no âmbito de uma conurbação envolvendo os municípios vizinhos, todos em condições de receber indústrias mas sempre tendo Londrina como pólo. Brandão acena com um know-how de Joinville, que é uma empresa especializada em remoção de resíduos industriais, que Londrina ainda não disponibiliza. Outro fator é que é mais elevado na cidade catarinense o índice de desenvolvimento humano.
Vantagens de Londrina são a abundância de água, de energia elétrica e de matérias-primas para a agroindústria; sua menor idade com relação à já idosa ''Cidade dos Príncipes'', significando que na equiparação da velocidade de crescimento, a de Londrina foi maior. A vagareza de obras públicas, em Londrina, e o baixo empenho do conjunto dos poderes - incluindo-se as representatividades parlamentares - foram fatores de diminuição dessa velocidade, nos últimos anos. Isto num momento histórico em que o governo estadual afina-se ideologicamente com o governo central, a administração municipal pertence ao partido no poder; a cidade conta com um londrinense entre os principais ministros; e tem uma expressiva representação numérica na Câmara Federal e na Assembléia Legislativa.
Londrina perdeu de Joinville em população, com a diferença de apenas 1.555 habitantes, o que não teria acontecido se o então distrito de Tamarana não houvesse se desmembrado do município - um evento que não beneficiou a ninguém, porque a matriz perdeu pontos, e o pequeno lugar, convertido em município, não ficou mais rico e sim mais problemático e ainda dependente da antiga sede. Descuidos políticos da época permitiram essa inútil separação. Londrina carece de um porto seco, de ampliação da pista do aeroporto e do equipamento ILS de segurança operacional de vôos, de ampliar o campo de empregos e conter a violência, mas é uma cidade que, pelo arrojo de sua gente, não perdeu sua força e não pára de crescer.

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