A Central Única dos Trabalhadores (CUT) apresenta várias propostas para o aumento de empregos e para melhoria do ganho do trabalhador, mas não toca em dois pontos fundamentais: a mudança da legislação trabalhista e a diminuição dos encargos sociais sobre a folha salarial. Assim, mantém a postura tradicional de solucionar o problema da classe trabalhadora à custa da empresa e não de fórmulas salvadoras que garantam as duas extremidades dessa relação o empregado e o empregador.
Salário mínimo de R$ 1.500, defendido há muitos anos pelo Dieese e agora pela CUT, é uma reivindicação legítima e prevista na Constituição (no capítulo que trata dos atendimentos que o soldo do trabalhador deve suprir), mas a Central dos Trabalhadores deve saber que a empresa paga encargo social correspondente ao dobro do salário. A CUT não questiona esse absurdo. Parece imaginar que um salário daquele nível não é pago porque o empregador não deseja e que bastaria um decreto para resolver a questão. Diminuição da jornada de 44 horas semanais para 40, como fórmula de abrir vagas, é outra solução viável, mas a CUT não quer a correspondente diminuição do salário o que seria uma cota de solidariedade patriótica de parte do empregado para com os colegas desempregados e sim que o ônus fique por conta da empresa.
É fácil apresentar soluções que não visem salvar, também, a fonte geradora do emprego, e essa mentalidade é que tem prevalecido no ideário da CUT e dos sindicatos dos trabalhadores. A proposta agora anunciada pela Central, de iniciar campanha pesada de alerta ao governo no sentido de mudar sua política econômica, é louvável pelo sentido da mobilização, mas peca ao não considerar a importância da empresa no processo. E nem sequer ousa mencionar a urgente necessidade de modificar a Consolidação das Leis do Trabalho, que é unilateral e drástica contra a classe patronal e inibidora de contratações, em face de sua inflexibilidade e dos amedrontadores tentáculos representados pelas punições embutidas na ação trabalhista. Em países de sindicalismo forte, como os Estados Unidos por exemplo, as questões do trabalho são discutidas bilateralmente e há uma preocupação dos dirigentes sindicais também com o fortalecimento da empresa, pois sem essa condição não há garantia de emprego e de bom salário.
Mudança de políticas econômicas, como propõe a CUT, significa também diminuir a carga tributária sobre a empresa, que assim lhe sobrariam meios para ampliação do negócio e expansão do emprego; significa reduzir os encargos sobre a folha de pagamento, e assim mais recursos ficariam no próprio círculo do negócio; e afastar da empresa o temor das impropriedades da legislação. Mudanças econômicas se operam também por adequações de leis e sistemas, mas como a Central Única dos Trabalhadores não mexe nesses tabus, não se sabe o que irá apresentar de reivindicação no anunciado Dia Nacional de Lutas e Mobilizações por Mudança na Política Econômica.

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