Vários pontos ficaram confusos na adoção da tarifa de R$ 2,10 para o transporte coletivo urbano de Londrina, decidida depois de avaliação da planilha da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) por um grupo técnico da Universidade Estadual de Londrina. Porque esse estudo baseou-se somente na análise técnica da planilha da CMTU, e era este justamente um dos pontos polêmicos levantados pela Comissão Especial de Investigação criada pela Câmara.
E ao sugerir - como meio de se determinar a tarifa - a criação de mecanismos de auditoria, consultoria, assessoria e afins (o que a Prefeitura não fará agora, sob a alegação da falta de estrutura), o grupo da Universidade deixa claro que não há um levantamento preciso de custo e receita das empresas concessionárias. Se a própria Prefeitura alega falta de estrutura para fixação da tarifa, tal conclusão da CMTU se enquadra nessa deficiência.
Dez centavos a mais (a tarifa vigorante é R$ 2), embora aparentemente pouco pesam no bolso do usuário e representam bastante para as empresas concessionárias se esse valor for multiplicado pelos mais de 100 mil pagantes que usam diariamente o ônibus urbano. Um transtorno será a questão do troco, porque nem sempre o usuário previne-se levando as moedas adicionais. O presidente do sindicato das empresas questiona os R$ 2,10 - embora descartando, ao menos por ora, qualquer ação em contrário - e anuncia o propósito de discutir tecnicamente a planilha, porque, como ele diz, ''menos de R$ 2,15 não poderia ser''. Portanto, ainda se assistirá a capítulos dessa novela inconclusa. Sobre a sugestão de serem criados sistemas permanentes de auditoria, o presidente de uma das empresas rebate declarando que ''a CMTU já acompanha todo o processo do transporte coletivo, desde a garagem à catraca'', mas o próprio prefeito admitiu que ''falta gerenciamento do sistema por parte da CMTU'' para chegar a um nível de excelência. Concluída agora essa etapa das discussões, nem o usuário deve ter ficado satisfeito (pelo aumento da tarifa e pela dificuldade de troco) e nem as duas concessionárias. Estas auferem lucro anual de 7,5%, quando em boa parte de outros municípios o índice é de 3%.
O foco agora deve ser a melhoria da qualidade do serviço, porque os ônibus andam superlotados nos horários de maior movimento. Não fosse apenas pelo desconforto dos passageiros, o problema se agrava neste momento de precaução com a gripe A. Enquanto escolas e igrejas suspendem aulas e cultos, as autoridades têm de proibir essa aglomeração nos ônibus. Este é um novo problema que surge e não pode haver tolerância com as empresas.
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