Poluição da inconsciência e da miséria social
O Protocolo de Kyoto, nunca levado a sério por nações altamente poluidoras, em especial os Estados Unidos, expira em 2012 e os governantes do mundo já se reúnem em dezembro deste ano para discutir e firmar o Protocolo de Copenhague. Porque será na capital dinamarquesa que se irá estabelecer os próximos rumos da política ambiental desta morada planetária. No Brasil, uma voz já conhecida começa de novo a bradar forte pela defesa ambiental - a da ex-ministra Marina Silva que volta ao noticiário por deixar o PT e entrar no PV, e desponta como potencial candidata à Presidência da República.
Mas não é esse enfoque político-eleitoral que conta e sim sua postura de missionária ambiental, que nunca recebeu apoio do companheiro Lula para a causa, mas é uma autoridade respeitável no cenário mundial. No Governo Federal as posições são muito refratárias à execução de metas em defesa do meio ambiente, ela afirma, e sabe-se que assim é. Se Marina se refere ao atual Governo, o descaso nesse campo tem sido de todos os governantes.
Mas, enquanto muita gente preocupada e atenta se ocupa da salvação dos bens naturais que dão sustentabilidade à vida neste planeta, as atenções dos governantes e da sociedade no Brasil precisam voltar-se para outra das grandes poluições, que é a inconsciência de tantos e a miséria social. Nesse pacote encontram-se as deficiências no atendimento público de saúde, a inabilitação profissional de muitos e o desemprego, os cortiços onde habitam milhões de brasileiros e onde não há saneamento básico e nem água encanada, o analfabetismo e condições de baixa mentalidade que mantêm patrícios no abismo da ignorância e do conformismo, e a tudo isso somando-se também a insegurança. Dão o nó nesse pacote os governantes populistas e inconsequentes e a laia política que o segue e o aplaude e tira os seus proveitos. Tudo isso formando um putrefato monturo de poluição social, assistida com indiferença por grande contingente da sociedade. Corrigindo essas distorções, se estará dando dignidade às pessoas que habitam esses submundos da pobreza material e mental. Porque muitas nem se reconhecem como credoras de respeito e dignas de usufruir dos bens que devem ser para todos. Tudo isso compõe a mais abominável das poluições, que perfila paralela à poluição natural do meio.
Se as metas de uma sociedade que se quer justa e solidária não são apenas discursos, deve-se expandir o olhar para a vastidão desses problemas e partir para programas de ação que não sejam os temporários e meramente eleitoreiros, mas realmente atendam aos anseios de toda a nação, sem que ninguém fique fora, e dos brasileiros que ainda virão e pelos quais todos já somos responsáveis.





