Poluição ameaça a zona urbana
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de agosto de 2002
Luciano Augusto<BR>Reportagem Local 
O poodle Pitico ainda carrega nos pêlos as marcas do desastre ambiental que marcou a comunidade do Jardim Maria Lúcia (zona oeste de Londrina), no início de maio deste ano. O cachorro foi uma das vítimas do maior vazamento de óleo já registrado em Londrina, que atingiu o Ribeirão Lindóia.
O Lindóia é apenas um entre as mais de duas dezenas de veios de água que cortam o perímetro urbano e estão ameaçados pela poluição, como a Folha de Londrina constatou percorrendo pontos em córregos e ribeirões da zona urbana. Eles sofrem com o despejo de resíduos de esgoto domésticos originários de ligações clandestinas, com vazamentos nas tubulações, com assoreamento e com o descaso da população, que continua jogando lixo no leito dos mananciais de água.
O dono do animal atingido pelo acidente com óleo, o pequeno comerciante Carlos Sérgio Bueno de Godoi, conta que o poodle teve mais sorte que uma outra cadela também da família. O animal, da raça pastor alemão, mergulhou no ribeirão no auge do problema e não conseguiu sobreviver.
Temendo a qualidade da água do Lindóia, o marceneiro Aparecido Rodrigo Meireles, teve que abortar a horta que iria fazer no quintal. Ele revelou que embora não tenha mais percebido óleo no leito do rio, as vezes ainda sente cheiro forte de óleo. Para tomar banho e para manter vivas as plantas da propriedade, ele tem que apelar para a água encanada, servida pela Sanepar. Mas já sentiu no bolso o resultado da troca. A conta subiu bastante.
A costureira Bernadete Lopes, que mora em frente à nascente do Córrego Bororé, na Vila Industrial, afirma que o mau cheiro que infesta o bairro é mais comum à noite e nos finais de semana. Ligações clandestinas de esgoto numa rede pluvial caem direto no córrego, bem próximo à nascente. A decorrência é a proliferação de roedores, baratas e pernilongos. No parquinho que fica ao lado, o problema são os miquins larva de carrapato de cavalos que atacam sobretudo as crianças da comunidade.
Saindo alguns quilômetros da área urbana, em direção ao Parque Ecológico Daisaku Ikeda, onde está a barragem da antiga usina no Ribeirão Três Bocas, o comerciante, José Benedito Moreira, relata que nos últimos três anos, a água ficou mais grossa e com mau cheiro. Segundo a assessoria de recursos hídricos do município, o problema tem origem na água que é liberada pelas estações de tratamento de esgoto da Sanepar. Moreira mora há mais de 20 anos no local, e diz que até mesmo o número de pescadores vem diminuindo. Na invasão do Jardim Pindorama, com 17 famílias, os moradores ergueram os barracos num fundo de vale ao lado da nascente do Córrego das Pedras. O esgoto corre solto e as condições de higiene são precárias. A moradora Ivone Aparecida Felix Pereira afirma que todos se utilizam do manancial mas os problemas de saúde já começam a aparecer. As crianças têm barriga dágua e micose, informa.


