Ainda não se encontrou melhor regime político que a democracia, por isso a partir de hoje os brasileiros terão de suportar a entrada dos candidatos em seus lares, escritórios e mesmo nos automóveis. É o início da campanha eleitoral no rádio e na televisão, em horários ditos gratuitos mas que o povo paga, sem o saber, e se não desligar os aparelhos ainda terá o ônus de ouvir e assistir. Não é o sistema que incomoda os cidadãos mas a descrença nos políticos e a canseira de suportá-los. Talvez nunca como agora, na história republicana, a repulsa a eles tenha sido tão grande, por causa dos escândalos que aconteceram especialmente neste Governo e das vergonhas que não cessam no ambiente da vida pública. Campanhas eleitorais são idênticas em todos os países democráticos, mas no Brasil as notícias de corrupção são o fato predominante na esfera govermamental, aí compreendidos segmentos de todos os Poderes. Duas vezes ao dia, rádio e TV consumirão cada um 50 minutos para a propaganda eleitoral, mas o eleitor tem a opção de desligar os aparelhos. E é isto que a maioria tem feito, segundo a pesquisa, porque (caso da televisão) 3 em cada 4 pessoas não dão atenção a esses programas. Como os comícios políticos estão caindo de moda, os palanques eletrônicos facilitaram as coisas para os candidatos. Dizer-se que todos os postulantes são maus seria uma inverdade, porque muitos que foram guindados ao poder passaram à história como íntegros e operosos. Mas o período da campanha eleitoral é aborrecedor para a população, quando deveria ser o contrário: um momento de exaltação da democracia. Se assim não é, outro meio melhor não existe de se conhecer os candidatos, e como o voto é obrigatório, é preciso participar do processo com responsabilidade. O sistema do voto opcional, que muitos defendem, resultaria em omissão, que pode ser danosa para um regime político. Porque os omissos não serão poupados do que os eleitos vierem a fazer. Mesmo que fosse facultado safar-se de votar, esses indiferentes ou desencantados não escapariam da consequência de más gestões governamentais. E apenas votar também não basta, porque a cidadania exige vigilância e participação contínuas de parte de cada brasileiro. Se os candidatos submetem seus nomes à escolha do eleitorado, precisam ser cobrados sem complacência, se eleitos, porque deixam de pertencer-se e passam a ser objetos de domínio público. Por isso, os que chegarem ao poder devem ser cobrados quando descem às bases todas as semanas, e assim deve-se fazer também com os integrantes das câmaras municipais, com os titulares de cargos executivos, ministros, secretários e outros funcionários públicos mais graduados. Melhor é fazer isto do que lamuriar pela inoperância deles e pelos atos lesivos que venham a cometer. Por ora é fazer um sacrifício cívico e saber o que os candidatos dizem em suas falas e aparições no rádio e na tevê, e depois cobrar dos eleitos as suas promessas. Só assim se dará início ao processo de melhoria do sistema governamental.

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