Políticos de 8 países discutem partidos e a gestão do Estado
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sexta-feira, 29 de novembro de 1996
Agência Estado<bR>De Brasília 
Parlamentares e dirigentes de partidos políticos de oito países da América Latina iniciaram ontem, no Ministério do Planejamento, o Seminário Internacional Partidos Políticos e Gestão Estratégica do Estado. Até hoje eles pretendem discutir a crise política e o papel do Estado nos atuais processos de transformação econômica. Ao abrir o seminário, o ministro do Planejamento, Antônio Kandir, afirmou que a classe política vive sob um paradigma: o tecnológico, que ao mesmo tempo em que exige um aprofundamento da democracia também tira a autonomia e mobilidade do Estado.
O grau de transparência e cobrança do Estado também tira sua autonomia e o imobiliza, afirmou Kandir. Segundo o ministro, a classe política está perdendo espaço e tem como desafio retomar seu papel de protagonista da agenda pública. Participam do seminário parlamentares do Brasil, Chile, Bolívia, Colômbia, Argentina, Equador, México e Uruguai. Em suas exposições das experiências vividas em cada País, os parlamentares apontaram para um pensamento comum: a revolução tecnológica, que trouxe um grande apelo para a democracia e autonomia da sociedade, resultou também na desmoralização dos partidos políticos.
Kandir também analisou a influência da imprensa, afirmando que ela vem tendo um papel mais importante na elaboração da agenda pública que os políticos. Há um espaço mais favorável ao aprofundamento da democracia, mas, ao mesmo tempo, os partidos são questionados. A classe política é cada vez menos protagonista da agenda pública. A imprensa é bem mais, disse.
O seminário é coordenado pelo IPEA e pelo Instituto Latino-Americano e do Caribe de Planejamento Econômico e Social (Ilpes). Entre os expositores desta sexta-feira está o senador Roberto Freire (PPS-PE). Durante sua participação, ontem, o presidente do PPB, senador Esperidião Amim (SC), cobrou um salto de qualidade do Congresso brasileiro. Ele precisa compreender e interpretar melhor a realidade nacional, colocar o regionalismo em segundo plano, ser menos provinciano e eleger as grandes questões nacionais e internacionais como itens prioritários de sua pauta de trabalho, afirmou.


