Políticos corruptos e policiais bandidos
Enquanto em Brasília políticos são denunciados por corrupção, no Paraná 35 bandidos são presos, na maioria policiais militares, cuja base de operação era a capital do Estado. Eles são acusados de dar cobertura a quadrilheiros e também de participar das ações, que compreendiam tráfico de drogas, roubos a estabelecimentos comerciais e a carros transportadores de valores, incluindo homicídios, entre estes o extermínio em janeiro do major Pedro Plocharski, que havia descoberto essa quadrilha. A corrupção de políticos e governantes não é novidade na história republicana e remonta aos tempos do Império. Também não é fato novo a envolvência de policiais em roubos e outros atos criminosos, mas a revelação da existência desse grupo, no Paraná, lança ainda mais descrédito dos cidadãos sobre as instituições. Corporações que têm a função de serem guardiães da segurança pública abrigam em seu meio homens de alta periculosidade, como agora se apurou ao ser desbaratado esse bando. Quatrocentos policiais federais, vindos de vários Estados, deram reforço a essa operação-desmonte, e esta é uma boa notícia, embora fique a desolação de saber que um reduto de criminosos é descoberto no âmago do próprio sistema de segurança. Não se deve condenar todo o efetivo por acontecimentos como este porque a própria operação de prisão desses bandidos foi uma eficiente ação policial mas é certo que a população tem tanto medo dos bandidos comuns quanto dos agentes da lei. A bandidagem, desde os golpes do conto-do-vigário, dos enganadores que roubam e logram incautos, até os grandes ladrões e os grupos do crime organizado, já se converte numa epidemia nacional neste país de tantas mazelas sociais. Sempre há uma esperança de que os poderes públicos (governantes e policiais, no caso) sejam bastiões de refúgio da sociedade e os asseguradores da paz pública, mas eles não têm sido garantidores plenos dessa segurança. O vírus da corrupção tem corroído também o tecido do próprio sistema judiciário, cujo exemplo nada lisonjeiro é o episódio do juiz Nicolau. Na operação de Curitiba também caíram na malha advogados, empresários e assaltantes genéricos, a mostrar que a corrente da criminalidade, desde os pequenos aos grandes delitos, mescla-se de segmentos sociais de todas as matizes. Imagina-se que esse processo alimenta-se de si mesmo, ou seja, os redutos corrompidos do poder público dando exemplo à sociedade e esta também perventendo-se e produzindo, em seu meio, homens públicos que acabam se convertendo em assaltantes do dinheiro do povo. Uma desalentadora realidade brasileira, marcada por esse corrompimento de costumes de boa parte do próprio organismo social e que vai chegando a um ponto de exaustão e de inquietude.





