No destaque que esta FOLHA conferiu, ontem, ao aumento dos salários de parlamentares, do presidente da República, vice e ministros, fizemos questão de incluir a seguinte informação: municípios devem fechar no vermelho, expressando as dificuldades, já conhecidas, enfrentadas pelo interior. Crises nos municípios afetam a saúde do idoso, a merenda das crianças e o ânimo dos professores.
  O velho paradoxo entre a vida de quem está no poder e a realidade brasileira nunca é suficientemente acentuado que não comporte novos golpes, como esse aumento real (e não reajuste) nos salários dos políticos. E para evitar críticas, contemplaram de uma só vez, Legislativo e Executivo.
  Embora acintoso - aos olhos dos brasileiros que passam privações, mesmo trabalhando -, o valor a ser pago para cada deputado ou ministro, é algo desprezível se comparado ao estrago provocado por deslizes que cometem. A soma de salários - e tantos outros benefícios - tem um impacto forte no orçamento. Pois mesmo assim pode-se ponderar, se analisado pelo chamado custo-benefício. Neste momento cada brasileiro gostaria de dizer: custam caro, mas trabalham honestamente. Mas não. Essa gente que custa fortunas, ainda se dá ao abuso de conspirar contra interesses maiores. Ou, pergunta-se, não foram as casas (legislativa e executiva) que promoveram violências tipo mensalão, escândalo da Caixa Econômica, Correios, Banco do Brasil e, mais recentemente, devassas em sigilos bancários.
  Com salários tão altos, e mais benefícios e mordomias, essa gente poderia pelo menos ter uma atuação profissional mais decente. Porém, tanto privilégio ainda não impede que promovem saques maiores.
  O Brasil vai sendo devorado pelas castas sociais e corporativas, cuja voracidade insaciável não conhece limites. Houve época em que deputados apontavam o Poder Judiciário para fazer comparações e justificar sua inquietação com relação a salários. Devem ter ultrapassado agora. Haja fôlego, no setor produtivo, para pagar impostos e sustentar tantos privilegiados.

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