Políticas públicas, direitos e invasões
A falta de políticas públicas adequadas às necessidades da população historicamente leva as pessoas a buscar meios próprios para pressionar governantes. É o caso da política habitacional. Embora a Constituição Federal garanta aos brasileiros o direito à moradia assim como estabelece outros direitos como saúde, educação e segurança, por exemplo é certo que nem todos têm acesso ao benefício.
Desta forma, o Estado brasileiro, que impõe à sua população uma das cargas tributárias mais altas do mundo, não consegue fazer valer a sua Carta Magna quando se trata da garantia dos direitos fundamentais dos cidadãos. Se são décadas de descaso por parte do governo, o que impossibilita uma solução rápida para as demandas ou se parte da população simplesmente espera que
os seus problemas sejam resolvidos pelo Estado não cabe a discussão. No entanto, é importante que a sociedade se articule para mudar essa história e para cobrar ações mais efetivas do governo.
No caso das invasões de terrenos públicos e particulares, tema abordado pela reportagem, é preciso acabar com essa cultura. Este comportamento faz parte das ocupações urbanas irregulares em Londrina há décadas, segundo relatos confirmados por estudos e dados oficiais. Somente neste início de ano, foram quatro ocorrências (contra apenas duas no mesmo período do ano passado), todas na zona norte e que reuniram, dependendo da estimativa, entre 500 e 1 mil famílias.
Isso acontece porque há a cultura de que esse tipo de ocupação é a forma mais rápida e eficaz para conseguir uma moradia legalizada. Desta forma, perpetua-se entre gerações a "cultura das invasões". No entanto, é preciso salientar que invasão de áreas de preservação ambiental é crime e, nesse caso, é preciso fazer valer a lei. A demanda da população por uma moradia é real, mas também é preciso seguir as regras, item fundamental para a vida em sociedade. Respeitar os critérios estabelecidos pela legislação e, depois, cumprir contratos são de suma importância.





