Políticas públicas contra a obesidade
A pesquisa sobre hábitos alimentares dos brasileiros divulgada esta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), publicada ontem pela FOLHA, mostra a urgente necessidade de se criar, no Brasil, políticas públicas de prevenção e controle da obesidade.
O estudo ''Análise do Consumo Alimentar Pessoal No Brasil'' indica que os maus hábitos alimentares estão presentes em todas as classes sociais e que campanhas pontuais de educação alimentar não estão surtindo efeitos significativos.
Considerando os produtos presentes na mesa do brasileiro, conclui-se pela pesquisa do IBGE que dinheiro não é sinônimo de comida saudável. Isso porque a classe menos favorecida é aquela que mantém uma dieta mais saudável, pois come maior quantidade de arroz e feijão e poucos produtos industrializados, principalmente fast food. Por outro lado, essa população come menos produtos frescos. Segundo o IBGE, o consumo de frutas e verduras cresce somente entre as famílias com maior poder aquisitivo.
Famílias e escolas também devem orientar melhor seus jovens, pois crianças e adolescentes são os que menos consomem itens saudáveis, como saladas e frutas, e os que mais consomem biscoitos recheados, salgados fritos e sanduíches. Todas os grupos pesquisados foram reprovados quando o tema é consumo acima do aceitável de sódio.
As revelações do IBGE confirmam outras pesquisas que já anunciaram a tendência do brasileiro à obesidade, assim como acontece nos Estados Unidos. Mas os americanos estão alguns passos na frente quando se trata de políticas públicas de controle do peso, inclusive com a participação efetiva da primeira-dama Michelle Obama. Em 2010, ela lançou a campanha ''Let's Move'', pegou em uma enxada e fez uma horta de orgânicos na Casa Branca, dando exemplo para a população. Recentemente, Michelle conseguiu compromisso das grandes redes de supermercados de abrir mais espaços em suas prateleiras para produtos frescos com preços razoáveis.
Com os números da pesquisa IBGE em mãos, o poder público deveria iniciar uma campanha de conscientização nacional sobre a importância de bons hábitos alimentares. Uma medida que pode gerar mais saúde à população e economia aos cofres públicos com a redução dos gastos causados por doenças ligadas à obesidade e má alimentação.





