Políticas assistencialistas
O demonstrativo dos repasses de verbas federais ao município de Londrina mostra claramente a atual forma de se fazer política no Brasil. A assistência social lidera o ranking das áreas que mais receberam recursos, superando gastos com educação e saúde, por exemplo. Ao optar por esta forma de distribuir recursos, fica clara a manutenção da política do assistencialismo, em detrimento da formação do indivíduo e do desenvolvimento econômico das cidades.
Dados do Portal da Transparência, mantido pela Controladoria Geral da União, apontam que Londrina recebeu R$ 63,7 milhões do governo federal por meio da transferência de recursos. Deste total, R$ 38 milhões são referentes ao repasse de impostos e recebimento das parcelas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e do Fundo de Participação dos Municípios, entre outros.
Cerca de R$ 8,4 milhões foram considerados gastos com assistência social. No entanto, R$ 7,1 milhões são referentes ao pagamento do Bolsa Família a 13.597 famílias que moram em Londrina. Os programas de distribuição de renda são um dos pilares que sustentam a política do governo federal, mas não podem ser os únicos recursos de investimento nas pessoas. Não se trata aqui de criticar esses programas, que de fato contribuíram para que as famílias vivessem com mais dignidade e que garantem a manutenção das crianças nas escolas. No entanto, as políticas não podem ficar restritas a este modelo.
É importante investir em programas de qualificação e capacitação de trabalhadores e na melhoria de infraestrutura das escolas. De que adianta a frequência escolar, se os pequenos não conseguem aprender o conteúdo, se tornam-se analfabetos funcionais quando adultos? Novos modelos de ensino devem ser discutidos para garantir a inclusão e o envolvimento dos estudantes com a escola. Por isso a educação básica e a técnica devem também receber importante soma de investimentos. Segundo o relatório do Portal da Transparência, a educação recebeu cerca de R$ 5,9 milhões. Nesta soma estão incluídos gastos com a merenda, contabilizados em R$ 1,2 milhão.
É preciso garantir a verdadeira cidadania às pessoas, com emprego e acesso à educação e à saúde de qualidade. Somente a transferência de renda não garante a formação dos cidadãos, que precisam ser incluídos na sociedade produtiva.





